Anderson Silva migra para o boxe e aponta ‘nova era do entretenimento’

Anderson Silva está de volta. Aos 46 anos, a lenda MMA abandonou o octógono, mas neste sábado, 19, subirá a um ringue de boxe para encarar o mexicano Julio César Chávez Jr., em um badalado evento, o “Tribute to Kings”, em Guadalajara, no México. Em entrevista a VEJA, o ex-campeão peso-médio do UFC falou sobre sua saída da organização, dos motivos que o levaram ao boxe e analisou o atual cenário da “nobre arte”, que vem atraindo não apenas ex-lutadores, mas também youtubers e estrelas de outras modalidades. “É uma nova era do entretenimento”, definiu Anderson, que ainda comentou sobre a situação política no Brasil e lamentou a forma como os brasileiros tratam seus ídolos.

De cara, Anderson negou que tenha topado o desafio por motivos financeiros. “A luta já não é mais meu carro-chefe, é um hobby. Só quero aproveitar os momentos. Meu objetivo é envelhecer com saúde e seguir fazendo o que amo”. Ele se disse confiante em fazer uma boa luta contra Julio César Chávez Jr, que foi campeão mundial de boxe entre 2011 e 2012, é 11 anos mais jovem e filho de uma lenda do pugilismo mundial.

“A adaptação tem sido tranquila, eu já lutava boxe todo dia, né? Há detalhes a serem ajustados, mas me sinto bem, vou fazer uma grande luta. Toda vez que eu subo em um octógono ou em um ringue, é como se estivesse disputando um título mundial. Quero passar uma boa mensagem para o público”, afirmou o “Spider”.

O atleta brasileiro comentou o atual momento do boxe, que vem atraindo não apenas lutadores de MMA (Victor Belfort, por exemplo, já manifestou desejo de subir ao ringue), além de veteranos como Mike Tyson e até comediantes. Para Anderson, essa nova fase não vem deixando a “nobre arte” menos nobre. “Não acredito nisso. O mundo está passando por mudanças radicais. É preciso respeitar o esporte e suas lendas, mas vejo como uma nova era do entretenimento. Na Roma Antiga já era assim com os gladiadores. Todo mundo gosta de ver grandes embates entre pessoas conhecidas.”

Na semana passada, o americano Floyd Mayweather, boxeador mais célebre de sua geração, faturou quase uma centena de milhões de dólares para encarar um famoso youtuber, Logan Paul. Mayweather, que jamais perdeu uma luta profissional, não conseguiu vencer o influenciador digital, o que levantou suspeitas sobre armação. Ainda em 2021, o ex-campeão Acelino Popó Freitas promete desafiar o humorista Whindersson Nunes. Questionado sobre uma possível luta com um youtuber, Anderson Silva despistou. “Não sei. Meu foco é essa luta, depois vejo o que faço. É um passo de cada vez.”

‘No Brasil, parece que o ídolo tem de morrer para ser respeitado’

Vitória sobre Vitor Belfort foi o auge da popularidade do “Spider”James Law/Zuffa LLC/Getty Images/VEJA

Dominante no peso-médio entre 2006 e 2013, Anderson Silva viveu momentos duros até sua despedida do UFC, em novembro do ano passado, em derrota para o jamaicano Uriah Hall, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O brasileiro, porém, diz que as graves lesões, os casos de doping, as derrotas e desentendimentos com o presidente da organização Dana White não lhe deixaram traumas.

“Não tenho arrependimento. O doping foi um momento duro, mas minha inocência foi comprovada. Lesões e derrotas fazem parte da profissão. Não faria nada diferente, sou feliz e orgulhoso de minha história”, disse. “De fora, é fácil falar sobre quando alguém tem de parar. Estou feliz com minha carreira. Tive alguns problemas com Dana White, com as cláusulas do contrato, agora está tudo certo. Ele feliz lá com seus novos poderosos e eu tocando minha vida.”

Vivendo há vários anos com a família em Los Angeles, Anderson se diz mais respeitado no exterior. “O brasileiro tem o costume de julgar as pessoas sem conhecê-las. Os americanos e europeus não fazem isso, o Brasil tem essa coisa, parece que o ídolo tem de morrer para ser respeitado. É algo cultural”, lamentou. Ele, no entanto, não descartou a hipótese de voltar a viver em Curitiba e criticou o atual cenário do país, especialmente na condução da pandemia.

“Pode ser que um dia eu volte para o Brasil, é um país maravilhoso, só precisa de políticos corretos e que pensem no povo. Já estou vacinado faz tempo, a organização nos EUA foi diferente,  não houve uma guerra política, os governantes se uniram em busca de uma solução para o povo, não ficaram em busca de mídia e voto como no Brasil. Essa é a grande diferença. Milhares de pessoas estão morrendo e quem deveria se importar não se importa.”

Anderson Silva fará a luta principal do evento Tribute to Kings, no México, marcado para começar às 21h (de Brasília) do sábado, 19. A transmissão da luta para o Brasil será feita exclusivamente pela plataforma de vídeos ZoOme.TV., via pay-per-view.

 

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Autor: Luiz Felipe Castro

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