Senado marca data para depoimento de Mauro Carlesse na CPI da Covid


Governador foi convocado para explicar sobre a suspeita de superfaturamento na compra de máscaras no início da pandemia. Na época, o Tocantins chegou a pagar R$ 35 por cada unidade. Governador Mauro Carlesse em vídeo divulgado pelo governo
Reprodução
O depoimento de Mauro Carlesse (PSL) na CPI da Covid-19 do Senado Federal foi marcado para o dia 2 de julho. A convocação foi aprovada no mês passado após um requerimento do senador Alessandro Vieira (Cidadania – SE). O governador deverá esclarecer os fatos investigados pela Polícia Federal na operação Operação Personale, que apurou o suposto superfaturamento na compra de máscaras no início da pandemia de coronavírus.
O cronograma de depoimento dos governadores convocados foi publicado pelo Senado Federal no Twitter nesta terça-feira (8).
No fim de maio, governadores de 17 estados e do DF, incluindo o Tocantins, acionam Supremo Tribunal Federal contra as convocações pela CPI da Covid. O G1 questionou ao governo do estado se Carlesse vai comparecer ao depoimento e aguarda uma resposta.
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Depois da convocação aprovada no Senado o governador chegou a divulgar um vídeo afirmando que o Tocantins “nunca enfrentou falta de material que pudesse atrapalhar a vida ou não atender a população”. O estado também contestou os valores que a União diz ter repassado ao estado.
Apesar disso, pacientes morreram esperando UTI e ambulâncias para transferência entre hospitais estaduais. Também teve leitos Covid bloqueados por falta de pagamentos e denúncias de falta de EPIs em hospitais públicos.
Durante o depoimento o governador deverá explicar os fatos investigados durante as duas fases da operação Personale, realizadas em junho e dezembro do ano passado. Na época a Polícia Federal apurou suspeitas de superfaturamento em contratos para compra de máscaras N95 que seriam usadas pelos profissionais da saúde durante o enfrentamento à pandemia.
Na primeira fase, a PF investigou a compra de 12 mil máscaras de duas empresas. O custo somado chegou R$ 420 mil, sendo que o governo chegou a pagar R$ 35 por unidade, mesmo tendo processo de licitação para comprar itens idênticos por valores entre R$ 1,93 e R$ 3,64.
Já na segunda fase da investigação, em dezembro do ano passado, foi investigado um terceiro contrato para a compra e 88 mil máscaras do mesmo modelo. Neste caso, o valor unitário foi de R$ 29,35, totalizando R$ 2.582.800,00.
Na época, o governo afirmou que as compras sem licitação foram feitas devido ao “iminente necessidade das Unidades Hospitalares” e que em “razão do sobrepreço, a própria gestão realizou a denúncia aos órgãos competentes, que embasaram as investigações da PF”.
Convocação
Outros oito governadores um ex-governador e uma vice-governadora também foram convocados para para prestarem depoimento na comissão, durante a sessão do dia 26 de maio.
A CPI da Covid foi iniciada pelo Senado Federal para apurar ações e omissões da União durante a pandemia, mas durante as sessões os senadores, principalmente da base do presidente, reivindicaram a convocação de governadores.
Eles alegam que a CPI deve investigar supostos casos de corrupção nos estados envolvendo recursos para combate à pandemia.
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