Para voltar a andar, idoso que teve perna amputada faz prótese com materiais reutilizados, mas não consegue usá-la: ‘Machuca demais’


Antônio Ferreira sofreu um acidente de trânsito em 2017 e no ano seguinte precisou amputar o membro por causa de uma infecção. A seguradora do caminhão envolvido na colisão não comprou a prótese nem pagou indenização. Idoso que espera há três anos por prótese, improvisa equipamento com materiais recicláveis
Um idoso que teve a perna amputada há três anos está se esforçando para voltar a andar e luta na Justiça para conseguir uma prótese. Antônio Ferreira sofreu um acidente de trânsito e a seguradora do caminhão envolvido na colisão não ajudou nos custos. Para ter independência outra vez, o idoso fez uma prótese improvisada com materiais reutilizados. Como o equipamento não é feita sob medida, ele sente dor e não consegue usar. (Veja o vídeo)
“Um rapaz me deu essa perna [de plástico], fiz o pé de chinelo e de sela de bicicleta e vou inventando aqui. Mas essa não deu certo. Machuca demais quando coloco minha coxa”, disse o aposentado.
O acidente que mudou a vida de Antônio aconteceu em abril de 2017 e ele ficou sem a perna no ano seguinte, quando uma infecção atingiu o membro. O aposentado lembra que conduzia uma motocicleta quando houve uma batida.
“Eu ia daqui para o Pará visitar a minha família que tem lá. Passaram dois carros de passeio, dois caminhões e o terceiro caminhão deu o sinal. Os outros desviaram, mas esse caminhão não desviou. Aí bateu na carretinha com a moto. A carretinha veio e quebrou minha perna”, contou.
Antônio ficou um ano internado no Hospital Geral de Palmas (HGP). Neste período a perna infeccionou e teve que ser amputada em abril de 2018. “Começou a criar bicho na minha perna e pedi para o médico amputar porque eu não estava aguentando mais”, lembra.
Já são três anos sem a perna. Até agora ele não conseguiu uma prótese definitiva e por isso usou a criatividade e dons de artesão para improvisar um equipamento.
Antônio é diabético e faz artesanatos para passar o tempo. Os plásticos que sobram dos medidores de glicemia ele aproveita para transformar em objetos decorativos. “Faço meio mundo de coisinha. Cortina para a janela, porta celular, faço bandeira. Enfeito aqui”. Foi com esse conhecimento que ele tentou fazer uma prótese com as próprias mãos.
Idoso que teve perna amputada fez prótese improvisada
Reprodução/TV Anhaguera
O médico ortopedista Higor Moribe explica que as próteses custam caro e por isso muitos pacientes ficam sem o equipamento. “Essas próteses são muito caras. Elas custam a partir de R$ 4 mil e podem custar até 100 ou 200 mil, dependendo do tipo de tecnologia usada”, explicou.
O especialista alerta que o uso de próteses improvisadas podem gerar diversos tipos de problemas aos pacientes, como feridas, dor e dificuldade de locomoção.
O Estado chegou a dar as muletas que Antônio usa para se deslocar, uma cadeira de banho e uma cadeira de rodas. Ele não usa a cadeira porque o espaço da casa é pequeno. Além disso, afirma que machuca o braço.
O aposentado ainda tenta conseguir uma prótese e acionou a Justiça para que a seguradora do caminhão que bateu na moto dele pague uma indenização.
“Dia 13/08/2019 que eu fiz o pedido da prótese, mas até agora não veio. Eu não entendo a Justiça, porque disse que ia ser rápido, mas já tem dois anos. Queria comprar uma casinha para mim, sair do aluguel. Se der para comprar a casa e a prótese eu compro. Em primeiro lugar vem minha perna”.
O que diz a Secretaria Estadual de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que não há nenhuma solicitação de prótese em nome do paciente citado, enquanto esteve internado no Hospital Geral de Palmas (HGP).
A SES esclarece ainda que em casos de negligência médica, a direção do Hospital deve ser comunicada pelo paciente, para que as providências sejam tomadas com o setor jurídico.
Idoso usou sela de bicicleta para fazer prótese improvisada
Reprodução/TV Anhaguera
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