Quanto maior o risco…maior a compensação!

Quanto maior o risco...maior a compensação!

Convidado: Samuel de Jesus Monteiro de Barros*

Vocês que me acompanham aqui e nas redes sociais sabem que eu falo muito sobre a dicotomia riscos e investimentos. Logo, meus amigos pessoais ou parceiros profissionais sabem tão bem quanto vocês. Por isso, achei bacana trazermos para este espaço o excelente professor Samuel de Barros para, junto comigo, transmitir um pouco do quanto pode ser complexa a tomada de decisões que envolvem nossos investimentos.

E falando em complexidade, a maior parte da humana se dá pelo seu comportamento, muitas vezes pouco racional, e não pela sua composição física ou química. Compreender como nós tomamos decisões, como nós agimos e porque agimos é essencial para realizar bons investimentos.

Assim, as ciências sociais e a psicologia largam na frente das demais ciências colocando luz sobre os nossos processos de tomada de decisão, sobre nossos entendimentos do mundo e sobre o que acreditamos. Nesse contexto, as finanças se embriagam nos conhecimentos da psicologia para entender os investidores, os tomadores e o próprio mercado na linha chamada ‘finanças comportamentais’.

Em finanças comportamentais, existe uma significativa linha de conhecimentos, bases e efeitos que nos ajudam a entender o que não é facilmente explicável com os gráficos da economia.

Contudo, hoje não entraremos na infinidade de conceitos existentes, trataremos apenas de um fenômeno: o efeito conhecido como compensação de risco ou, para os mais tradicionais, efeito Peltzman.

O efeito Peltzman, de forma resumida, é um fenômeno que ocorre em qualquer situação de risco. Ele se manifesta por meio de uma compensação, ou seja, se o investidor acredita que existem mais riscos, tende a ser mais cuidadoso do que a média (o que parece ser bastante razoável). Em compensação, se o investidor acredita haver menos riscos, diminui seus cuidados. É aí que mora o perigo.

Lembrando aqui, como sempre faço, a importância de entender o mercado como um todo antes de investir ou calcular os riscos, analisar os cenários, compreender os posicionamentos passados, presentes e principalmente futuros de ação/empresa/atividades a fim de ter um mapa mais realístico possível de onde vai ‘colocar sua mão’.

Vamos ao exemplo prático

Como você avalia seus investimentos? Certamente, segue a mesma diretriz da maioria dos investidores: quanto mais acredita que um determinado investimento é arriscado, mais você ocupa seu tempo estudando, entendendo e buscando formas de se defender de “algo não previsto” naquele tipo de ativo. Acertei?

Provavelmente sim. Mas, da mesma forma que isso prova que você é humano, e que a compensação existe em você, prova que está deixando de dedicar tempo aos demais ativos que poderão fazer parte da sua carteira e que podem apresentar riscos ocultos à primeira análise.

E agora você deve estar pensando: “Eu reduzo de forma significativa meus riscos agindo assim. Focando em estudar e mitigar os riscos nos ativos que, aparentemente, são menos seguros!”. Sim, você tem razão. Mas, se você lembrar das premissas de finanças: “Quanto maior o risco, maior o retorno esperado”. Então, o contrário também se aplica: “Quanto menor o risco, menor o retorno potencial”.

Vamos então levar isso para dentro do seu bolso

Acreditamos que você escolheu o ativo mais seguro. Afinal, você observa que nele há um risco pequeno. Quanto tempo gastaria estudando o ativo? E sabemos que seu ganho é garantido e você está menos exposto às variações do mercado.

Vamos acreditar que você investiu em algum ativo atrelado ao CDI em abril de 2020. Hoje, esse mesmo ativo, de forma acumulada, te gerou uma rentabilidade bruta de 2,22% em 12 meses.

Agora, vamos mudar o ativo. Você escolheu investir em câmbio, no dólar para sermos mais específicos. O dólar é um ativo mais arriscado do que algo atrelado ao CDI e, no mesmo intervalo de 12 meses, com investimento iniciado em abril de 2020, teria apresentado retorno de 8,36% bruto acumulado.

Pronto! Mudemos o ativo mais uma vez. Vamos acreditar que você teve coragem e investiu no índice da bolsa, o Ibovespa. Nos últimos 12 meses, o Ibovespa foi mais arriscado do que o dólar. Considerando o cenário macroeconômico, o cenário político e o momento da pandemia, quem investiria na bolsa de valores? Ainda mais em um índice da bolsa? Seria loucura ou você gastaria bastante tempo estudando, pensando, escolhendo e, no final, buscaria algo mais “conservador”?

Pois bem! Ao investir no Ibovespa, nos mesmos 12 meses, com investimentos começando em abril de 2020 e terminando em março de 2021, o retorno bruto acumulado seria de pouco mais de 59%.

Sim, são 59%! Estamos saindo de 2% para 8% e de 8% para 59%, com uma percepção de risco bastante diferente entre os 3 ativos. Com isso, demonstramos duas teorias e como elas estão na sua vida.

Perceba.

Efeito Peltzman: te faz dedicar mais tempo e atenção em investimentos que julga mais arriscado, em detrimento de outros que você julga mais seguro.

Quanto maior o Risco, maior o retorno esperado: conservadorismo em excesso, por vezes, provoca resultados escassos.

Então, como buscar o equilíbrio? Essa pergunta só tem uma resposta. Estudando, praticando e se conhecendo como investidor. Entenda suas falhas cognitivas, o que te afeta na tomada de decisão e consequentemente escolherá melhor.
Porém, fique sempre atento às questões que envolvem seus investimentos, nunca esquecendo que existem erros e acertos, que não é preciso entender que os estímulos do mercado são múltiplos e que a diversificação é um dos pontos mais fatuais de qualquer carteira.

No futuro conversaremos sobre outros vieses cognitivos, talvez isso te ajude a ser um melhor investidor. Enquanto isso, te indico a leitura do livro “Desafio aos Deuses”, de Peter L. Bernstein, que conta o papel do risco em nossa sociedade, dos tempos remotos à modernidade atual. Em ritmo de romance, o autor cita a aventura intelectual que nos libertou dos oráculos e adivinhos com ferramentas da administração do risco, além de traçar perfis de gigantes intelectuais como Omar Khayyam, Pascal e Bernoulli, Bayese Keynes, Markowitz e Arrow, Gauss, Galton e von Neumann.

Garanto que valerá a leitura!

* O convidado da nossa coluna de hoje é Samuel de Jesus Monteiro de Barros, pró-reitor de Pós-graduação, Extensão e Pesquisa do Centro Universitário Ibmec, doutorando em Administração pelo IAE Bordeaux (França), mestre em Administração com foco em finanças, especialista e professor de finanças.

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