Secretário de Saúde do Tocantins diz que metade das doses de vacinas destinadas a indígenas ficaram encalhadas


De acordo com ele, há problemas tanto por recusas como por dificuldades em localizar os indígenas. Edgar Tollini disse ainda que houve cidades que ficaram duas semanas sem fazer retiradas de remessas. Edgar Tollini falou na Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa
Reprodução/Youtube da Aleto
O secretário de saúde do Tocantins, Edgar Tollini, esteve na Assembleia Legislativa (Aleto) nesta quinta-feira (29) para prestar conta das ações que foram adotadas no combate à pandemia até o momento. Ele falou sobre os gastos realizados e também tentou justificar a lentidão na campanha de vacinação. O estado levou mais de três meses para vacinar 10% da população.
O evento foi na Comissão de Finanças da Aleto e durou mais de três horas. Tollini apresentou um balanço e respondeu perguntas dos deputados estaduais sobre a crise.
Sobre a lentidão, o secretário atribui a vários fatores. Ele citou a falta de doses disponíveis no mercado, a falta de interesse de alguns públicos prioritários e também a demora de algumas prefeituras em realizar as aplicações.
Tollini evitou citar diretamente os municípios durante a fala, mas disse que houve cidades que ficaram duas semanas sem enviar representantes para buscar as doses nas centrais. Ele disse ainda que parte das doses enviadas para a vacinação de indígenas está encalhada.
“Eu cito aqui o problema dos indígenas. Nós recebemos 7,5 mil doses para os grupos aldeados, acima de 80 anos. Na primeira leva de vacinas, o indígena entrou. Até hoje nós conseguimos vacinar 4,3 mil somente de primeira dose e somente três mil indígenas de segunda dose. Quer dizer, eu tenho, teoricamente, 15 mil vacinas que eu recebi para indígenas, entre primeira e segunda dose, que elas chegaram exatamente no dia correto e nós não conseguimos atingir nem 7,5 mil, nem a metade disso”.
Além das recusas, o secretário informou que há dificuldade em localizar os indígenas. Ele afirma ter recebido relatos de municípios de que as equipes foram até as aldeias onde havia dezenas de moradores e localizam apenas três pessoas. Pelas regras do Ministério da Saúde, as doses não podem ser direcionadas a outros públicos.
Edgar Tollini também fez críticas a atuação do Governo Federal e afirmou ter avisado ainda em 2020 ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde que havia a possibilidade de faltar kits de intubação. Atualmente o Tocantins está com dezenas de leitos de UTI bloqueados pela falta destes produtos, já que não é possível intubar pacientes sem os medicamentos.
“Não tem jeito da gente não falar que não houve alguns equívocos, mas eu não sou… eu tô com um deles aqui, que é a questão dos kits de intubação. Eu chamei a atenção do Conass em 14 de agosto, ‘vai faltar kit de intubação’, seis meses depois… grave, severo”.
O secretário disse ainda que a maioria das cidades do Tocantins não tem condições de receber grandes remessas de vacinas, por falta de estrutura de armazenamento. Segundo ele, apenas em Palmas, Gurupi e Araguaína é possível que grandes lotes fiquem guardados e apenas 20 das 139 cidades têm refrigeradores específicos para guardar vacinas. Cada um dos equipamentos custa aproximadamente R$ 40 mil.
Sobre a compra de doses da vacina diretamente pelo governo do Tocantins, como pretendia o Palácio Araguaia, o secretário disse acreditar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve rever a decisão de não liberar o uso da vacina Sputnik V. O imunizante é a grande aposta do governador Mauro Carlesse (PSL) para a aquisição.
O secretário disse ainda achar o Tocantins um alvo pouco provável para as apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, que vai investigar a crise da Covid-19 no âmbito do Governo Federal e os repasses realizados a estados e municípios.
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