Zezé Di Camargo e Luciano dizem que Maria Bethânia inspirou ‘É o Amor’

Vitor Moreno
São Paulo-SP

É impossível negar que a música “É o Amor” entrou no rol dos maiores clássicos populares do país. E não é um caso assim tão complicado de se entender. Com uma letra que fala a qualquer um que já esteve apaixonado e uma melodia grandiloquente, que reforça essa identificação, ela continua mexendo com a cabeça dos brasileiros 30 anos após o lançamento.

A data de celebração da efeméride é nesta segunda-feira (19). Ela foi escolhida pelos irmãos Zezé Di Camargo, 58, e Luciano, 48, porque foi quando o pai deles, Francisco (1937-2020), levou a fita cassete com a gravação à rádio Terra, de Goiânia, dando o pontapé para o sucesso da dupla.

A história da música, porém, começou um pouco antes, durante sua composição numa noite fria de junho no apartamento de 45 metros quadrados em que moravam na Vila Alpina (zona leste de São Paulo). O momento é lembrado pelos irmãos de forma vívida por se tratar de uma virada para ambos. E não foi mostrada da forma como realmente ocorreu em “Dois Filhos de Francisco” (2005), filme que conta a trajetória da dupla.

“É uma das poucas coisas do filme que é ficção”, afirma Zezé em entrevista por telefone ao F5. “Eu já tinha montado o repertório todinho para levar às gravadoras, com músicas produzidas em estúdio. Naquela época, estava fazendo muito sucesso a música ‘Negue’, na voz da Maria Bethânia, e eu pensei: ‘Vou fazer uma música assim’.”

“Lembro até da roupa que eu estava, calça bege e camisa vinho, que era a única roupa que eu tinha”, completa Luciano, também por telefone. “Foi a primeira vez que eu vi o Zezé compor sozinho. Fiquei deitado no sofá atrás dele, ele sentado com o violão, papel e caneta na mão.”

Zezé conta que a letra e a melodia vieram praticamente juntas. “A primeira parte veio quase toda de uma vez, aí travei um pouco, o Luciano desistiu umas 2h da manhã e foi dormir, e eu continuei até umas 4h ou 5h da manhã”, diz. “Levei no outro dia para a gravadora e falei que a música tinha sido psicografada, que era uma mensagem do além, para o cara nem poder recusar (risos).”

Houve certo receio de juntar a gravação caseira ao material que já estava produzido, mas a confiança na música se mostrou acertada. Daí em diante, o sucesso da dupla foi tão estrondoso que soma mais de 1 bilhão de execuções no mundo, segundo dados do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).

Trata-se da música mais regravada da dupla, com mais de 70 outros artistas já tendo feito suas próprias versões. Entre eles, estão o grupo de pagode Raça Negra, o americano Ray Coniff e a própria Maria Bethânia, que inspirou a composição. “É realmente engraçado, acho que ela nem sabe dessa história”, diz Zezé. “Já estive com ela, várias vezes, e nunca contei.”

O sucesso da dupla, claro, não ficou restrito à canção. Nesses 30 anos, foram 40 milhões de cópias vendidas dos 27 álbuns, além de 1 EP e de 6 DVDs. Eles também foram premiados cinco vezes no Grammy Latino, estiveram 20 vezes em trilhas de novelas da Globo e lideraram o ranking de artistas que mais fizeram campanhas publicitárias no Brasil entre 2016 e 2019, para ficar em alguns números.

“Nós fechamos o último ano antes da pandemia com 140 shows”, lembra Luciano. “É difícil um artista manter uma média dessas, de tocar em todas as rádios, durante 30 anos. Embora não seja o nosso intuito parar, se a gente entendesse que chegou a hora, todas as minhas realizações em termos de música, eu consegui realizar. Tudo o que vier daqui para a frente é lucro.”

“Costumo dizer que muitos vieram para fazer sucesso, poucos para fazer história”, avalia Zezé. “Nós conseguimos atravessar para o outro lado desse riacho. Se você for analisar, não tem como falar de música sertaneja ou música popular brasileira sem dedicar um capítulo bacana a nós.”

Mesmo afastados por causa da pandemia, a dupla já vislumbra uma celebração do aniversário de carreira logo que possível. Zezé está em sua fazenda em Goiás, enquanto Luciano mora com a família em São Paulo. “Nós já tínhamos agendado para este ano o DVD 30 anos, com 30 músicas, e íamos fazer 30 shows pelo Brasil, o projeto ia se chamar 30-30-30”, conta o irmão mais velho. “Com o problema da pandemia, tivemos que adiar tudo isso.”

Outras atividades conseguiram se manter em paralelo. Com previsão de ser lançada em dezembro, os dois estrearão uma websérie em que recebem outros artistas para cantarem juntos os sucessos da dupla. Há participação de Ivete Sangalo, Marília Mendonça e Thiaguinho, entre outros (Luan Santana participa com a gravação de número 74 de “É o Amor”).

Além disso, se a pandemia permitir, os dois embarcam no mesmo mês em um cruzeiro para celebrar com os fãs em alto mar -eles adiantam que haverá participação também de Bruno e Marrone, Edson e Hudson e Matogrosso e Matias. “Se Deus quiser, o Brasil vai ter saído dessa pandemia e vamos poder cantar olhando olho no olho”, comemora Luciano. “É disso que eu sinto saudades. Live é legal, mas não é um show.”

Enquanto isso não ocorre, os dois continuam tocando projetos paralelos. Luciano já lançou seu projeto gospel “A Ti Entrego”, enquanto Zezé vem trabalhando no estúdio que montou na fazenda. Ele diz que deve lançar um álbum ou um DVD com o que vem produzindo. “É uma coisa pessoal minha, são músicas que eu gostaria de cantar com o meu pai”, revela.

Esse respeito ao espaço de cada um é o que os dois irmãos contam ter sido fundamental para que as trajetórias de ambos continue sem grandes rusgas depois de tantos anos. Zezé lembra que a única briga séria que tiveram foi antes de um show em Curitiba em 2011, quando Luciano abandonou o palco.

“Foi uma briga natural de dois sócios, dois irmãos, com divergências na maneira de pensar”, minimiza. “A gente respeita muito o espaço um do outro. Eu não vou à casa dele sem avisar, por exemplo. O que traz o desgaste é quando o profissional e o pessoal se misturam.”

Luciano assente. “Eu e Zezé temos uma relação muito boa, o lance de sermos irmãos nos favorece”, diz. “Você pode discutir tudo quanto é assunto, mas brigar não briga. Você pode não concordar, mas entra num acordo. Quando não é irmão não é necessariamente assim.”

“Nós temos pensamentos e gostos diferentes, mas pensamos igual em cima do palco”, continua. “Ele gosta de estar sempre cercado de muitos amigos, já eu sou recluso, fico mais quieto lendo um livro ou a Bíblia. Porém, sempre o respeitei muito e sempre fui muito respeitado.”

Algo em que ambos compactuam é que, após a pandemia, o ritmo de trabalho para os próximos 30 anos deve ser menos intenso. “Não consigo deixar de fazer aquilo que eu gosto, cantar para mim é um prazer, é salutar”, diz Zezé. “Porém, minha vida vai ser totalmente diferente daqui para a frente.”

“Com a pandemia, vi que dá para levar uma vida mais tranquila, viver a família, dei um passo atrás”, conta. “Percebi coisas e valores que tinha esquecido. Dá para tirar um pouco o pé do acelerador e ter mais qualidade de vida.”

“Quando você alcança tudo o que nós alcançamos, você volta para o princípio, que é cantar: o que eu almejo é continuar cantando”, concorda Luciano. “Eu brinco que nós vamos cantar até virar um quarteto, Zezé Di Camargo, Luciano e dois enfermeiros no palco.”

As informações são da Folhapress

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