Analice Nicolau recebe a Delegada Clarissa Demartini e falam sobre o machismo e as relações abusivas

Clarissa Demartini. Foto: Paulo Pires /GES

Poucas atitudes ainda são aceitas na sociedade e o receio de expressar o que realmente somos é o maior de todos. Por isso é tão importante ainda levarmos adiante essa conversa tão séria, ajudando de alguma forma outras mulheres que ainda não conseguiram acessar essa coragem dentro delas mesmas a expor toda sua vulnerabilidade e de alguma forma ajudar outras mulheres vítimas da violência doméstica.

Para isso convidamos a Delegada Clarissa Demartini do DEAM – Delegacia Especializada em Atendimento do Estado do Rio Grande do Sul – para conversarmos sobre como as mulheres podem se libertar de um relacionamento abusivo, antes de que ele se torne perigoso. Um ponto muito importante da nossa conversa foi sobre a dificuldade na identificação dessa violência, segundo a delegada as vítimas acabam tomando para si uma responsabilidade muito grande do relacionamento o que acaba fazendo com que elas se sintam culpadas pela violência que sofrem, e esse processo de reconhecimento vai de cada mulher “ Tem mulheres que identificam em 3 meses e outras em 15 anos” conta a delegada.

Com a chegada da pandemia a delegada relatou haver um aumento de casos de feminicídio no ínicio e uma diminuição das queixas e pedidos de medidas protetivas nas delegacias do Rio Grande do Sul, “Isso nos leva a crer que essa mulher teve mais dificuldade de acessar os equipamentos da rede, por isso que durante todo esse período começamos a usar ferramentas para facilitar o acesso dessa mulher ao sistema de proteção” observou a delegada. Preocupados com essa dificuldade diversas empresas do fundo privado como a Magazine Luiza desenvolveram uma aba dentro do seu aplicativo de compras para que as mulheres conseguissem denunciar as agressões, a dra Clarissa valida essas atitudes
“ Todas as ferramentas que a gente coloca à disposição das mulheres são muito úteis, porque nós não sabemos como elas conseguem acessar esse socorro”.

O machismo ainda é uma realidade na sociedade e falta de políticas públicas dificulta ainda mais esse cenário “Precisamos de políticas afirmativas para que a mulher consiga usufruir de seus dos seus direitos, a sociedade é machista sim, eu acho que se a gente conversar com qualquer mulher do nosso círculo de convívio teremos relatos de violência, por vezes nós faremos o relato de violência” desabafa a delegada.

E com isso tudo que falamos hoje aqui quero deixar a você uma reflexão: Quando a dor do outro não te aflige, algo está errado dentro de você. Nós mulheres somos uma força latente, que pari, que nutre, que cria, que vive e que tem dentro de si a força de recomeçar, deixando de lado tudo que a deixou violada e calada. O mês em homenagem às mulheres acabou, mas o seu poder e a sua força nunca acabam.

Delegada Clarissa Demartini esclarece nossas dúvidas neste vídeo gravado com exclusividade para o Jornal de Brasília , confira:

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