Para fugir do preço alto do gás, consumidores passam a cozinhar no fogão a lenha em Palmas


Família improvisam fogão a lenha no quintal e prioriza dinheiro para compra de remédios e alimentos. Economista diz que escassez de salário contribui para que produtos fiquem mais caros. Por causa de preço alto no gás, pessoas trocam o botijão pelo fogão à lenha
Com tantos aumentos no preço do botijão de gás, muitos consumidores de Palmas recorreram a um antigo costume, a troca do fogão convencional pelo fogão a lenha. Famílias dizem que preferem priorizar a compra de remédios e alimentos.
No ano passado, o botijão custava R$ 85 na capital. Agora pode ser encontrado de R$ 95 e R$ 110 nas revendedoras da cidade. O menor preço é praticado por estabelecimentos de Taquaralto, região sul.
A dona de casa Maria Divani Gomes vive com o marido e mais oito filhos, em Palmas. Sem condições de pagar um valor tão alto pelo gás, a alternativa tem sido cozinhar no fogão a lenha, improvisado no fundo do quintal.
“É difícil, a dificuldade é grande e desde quando eu cheguei aqui, é usando ele sempre. Meu marido adoeceu, eu fiquei doente. Deste tempo para cá, só no caipira, eu não dou conta de comprar o gás. O dinheiro do gás, eu prefiro comprar outras coisas, remédios, o arroz, o feijão, o óleo”, disse.
Com o aumento no preço do gás, famílias optam por fogão a lenha
Reprodução/TV Anhanguera
Ela tem o fogão convencional, mas está parado na cozinha. Quando não pode cozinhar no fogão caipira, recorre a ajuda dos vizinhos. “No tempo de chuva, eu faço a comida mais cedo. Quando não faço aqui, faço na casa da minha vizinha, conta com a ajuda dos vizinhos. Se não fossem eles, sei nem o que seria de nós”.
A empresária Mirian Laranjeira, que vende o produto, também sente os efeitos da inflação. “Esse ano, já aumentaram quatro vezes o valor do gás. Cada aumento veio com 5%, então totalizam 20% no aumento do valor do gás”.
Para o economista Higor Franco a alta pode estar atrelada à escassez de dinheiro, causada pela pandemia.
“A geração de empregos e renda, tanto por parte do poder público, quanto por parte iniciativa privada, está ficando cada vez mais escassa. E quando é a escassez do salário, da renda, automaticamente, os produtos começam a ficar mais caros ou até mesmo sobrarem em seus estoques. Isso faz um desequilíbrio na economia. Quando esse desequilíbrio está instaurado, nós sentimos isso no bolso”.
Se o poder de compra diminui, o jeito é estabelecer prioridades. “Eu vou ter que substituir ou até mesmo excluir algum tipo de produto que eu consumo para poder honrar com essa obrigação do gás, se ele for um item indispensável. Eu creio que para a maioria da população o gás é indispensável”, disse o economista.

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