Uso de agrotóxicos na Serra do Lajeado pode prejudicar nascentes e animais; entidades pedem fiscalização


Córregos que abastecem populações de Palmas e Lajeado nascem dentro da Área de Preservação Ambiental da Serra do Lajeado. Superintendente diz que Conselho Deliberativo decidirá sobre restrições dos defensivos agrícolas. Fórum cobra fiscalização no uso de agrotóxicos na Serra do Lajeado
A Área de Preservação Ambiental da Serra do Lajeado é rica em biodiversidade e essencial para o abastecimento de água da capital. Mas, o uso de defensivos agrícolas na região pode comprometer as nascentes, animais e ribeirinhos. Para preservar essa riqueza, o Fórum Tocantinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos cobra mais fiscalização na região.
“Aqui na APA do Lajeado, temos sérios problemas com agrotóxicos. O abacaxi está sendo plantado, a soja está sendo plantada. Poderia ter uma nova política para se ver qual a agricultura que se deve fazer aqui nessa região”, destacou o diretor da Associação de Preservação dos Botos da Amazônia, Rosalvo Santos.
O fórum integrado por 27 instituições está cobrando do estado fiscalização nas propriedades rurais. Além do uso de agrotóxicos nas atividades agrícolas, a preocupação também é com as bacias hidrográficas que abastecem a cidade de Palmas. Um vez poluídas podem causar sérios danos à saúde da população.
“Os córregos todos que nascem e correm para Palmas, eles nascem dentro desse território da APA Serra do Lajeado. A água que vai para o município, vem do Taquaruçu Grande, mas a água que abastece a zona rural, é da bacia do Ribeirão Lajeado. E essa é a água que chega na cidade. É o único rio com capacidade de abastecer a área urbana do município. Então, a gente tem que que cuidar desses dois grandes rios”, comentou a superintendente da Apa Serra do Lajeado, Camila Muniz.
Fórum cobra por fiscalização do uso de agrotóxicos na Serra de Lajeado
Reprodução
A facilidade na importação de agrotóxicos é um fator que pode favorecer a utilização de forma errada. “O nosso ribeirinho não tem noção nem de leitura e ele chega em casa com aquele litro de agrotóxico que ele acabou de adquirir, sabe lá da onde, e aplica na sua plantação de forma errada. E ainda se contamina”, argumentou o ambientalista Rogério Caldeira.
A superintendente da APA explicou que há empreendimentos licenciados que empregam o agrotóxico nas plantações. Atualmente, é permitido o uso de agrotóxico de classe 3 e 4. Ela ainda disse que o pedido das entidades é que seja proibido o uso de qualquer tipo de defensivo, mas que essa decisão não cabe ao Estado.
“A sociedade civil apresentou uma nota técnica ao Naturatins, na ocasião da revisão do plano de manejo, pedindo a restrição total do agrotóxico. Essa decisão não é tomada pelo órgão, ela é tomada pelo Conselho Deliberativo, que é um grupo de pessoas de organizações governamentais e não governamentais que atuam nessa área. O conselho vai fazer essa análise e fechar o documento nos próximos dois meses. Pode ser sim, que ele seja restrito”.
Camila ainda disse que no plano de manejo da APA está previsto o desmatamento em poucas áreas onde haja fruticultura, sistemas agroflorestais e outros que não causam grandes impactos. A autorização para a atividade agrícola precisa ser requerida junto ao Naturatins e qualquer infração ambiental devem ser ser denunciada.

“Com a participação da comunidade, através das denúncias no Linha Verde no 0800 063 11 55, a gente consegue chegar até esses infratores e aplicar as penalidades previstas na legislação. Qualquer tipo de empreendimento precisa ser licenciado. Na ocasião de empreendimentos, construções, reformas, ampliações, instalações, qualquer tipo de serviço que utilize recursos ambientais e que são considerados efetivos ou potencialmente poluidores, sem licença ou outra autorização dos órgãos ambientais, pode ser gerada uma multa entre R$ 500 até R$ 10 milhões”.
Os desmatamentos dentro da unidade de conservação podem gerar uma multa de R$ 6 mil por hectare para o responsável. Sendo fora da unidade de conservação, o custo é de R$ 5 mil por hectare, conforme a superintendente.
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