Mãe de jovem morto por PM pede justiça após prestar depoimento: ‘Não é sair matando’

Wilque Romano foi morto durante uma abordagem da PM em Formoso do Araguaia. Policial militar denunciado pelo homicídio do jovem também foi ouvido. Primeira audiência do caso Wilque Romano é realizada em Formoso do Araguaia
Mais de 10 meses após a morte de Wilquer Romano, a mãe do jovem prestou depoimento e pediu justiça. “Não é sair matando um e outro. Quero que seja feita justiça por isso”, disse Valdirene Romano após ser ouvida. A primeira audiência do caso foi nesta quarta-feira (21), no fórum de Formoso do Araguaia. O jovem morreu em janeiro deste ano após levar um tiro nas costas durante uma abordagem da Polícia Militar. (Veja o vídeo)
Nesta quarta-feira foram ouvidas sete testemunhas de acusação e quatro da defesa do réu, o soldado da PM, Leandro Marques. O militar, que teria atirado em Wilque, também foi ouvido na audiência que durou cerca de quatro horas.
Segundo o promotor de justiça, Roberto Freitas, houve contradições em alguns depoimentos. “As contradições acontecem desde a fase investigativa. Agora já é outro direcionamento. Não há depoimentos homogêneos”, explicou.
Em frente ao fórum de Formoso do Araguaia foram colocadas faixas com pedidos de justiça. A audiência durou cerca de quatro horas, mas ainda não houve uma decisão se o militar será levado a júri popular. As duas partes pediram para que outras duas pessoas possam testemunhar e uma nova audiência deve ser realizada em até 30 dias.
O advogado da família de Wilque Romano pediu para o juiz ouvir o sargento Rick Bueno, que estava junto com o réu no dia da abordagem. Por outro lado, a defesa do policial solicitou que um instrutor de tiros da PM seja ouvido para explicar como funciona o padrão de abordagem da polícia. Os novos depoimentos devem ser realizados em Gurupi.
Wilque Romano foi baleado pelas costas
Arquivo Pessoal
O caso
O jovem Wilque Romano da Silva, de 19 anos, foi morto com um tiro nas costas na noite de 3 de janeiro, em Formoso do Araguaia, na região sul do Tocantins. A Polícia Militar disse na época que os policiais atiraram após o jovem reagir e tentar sacar uma arma. Parentes da vítima disseram que ele não tinha arma.
Um vídeo foi feito com um celular assim que um morador do bairro ouviu o tiro. Ele ficou atrás de uma árvore, a poucos metros dos policiais.
As imagens mostram Wilque no chão e um policial militar da Força Tática abaixado. Os policiais mexem na cena do crime usando luvas descartáveis e um deles aparece com uma sacola de plástico. Ele se aproxima do corpo e não dá para ver o que faz. Em seguida, caminha para a viatura com a sacola e volta sem nada.
A Polícia Civil terminou o inquérito sem indiciar ninguém pela morte do jovem. Em março a Delegacia de Polícia Civil de Formoso do Araguaia marcou um novo depoimento de uma testemunha sobre o homicídio. A solicitação foi feita pelo (MPE), que também pediu cópias de documentos.
O MPE havia pedido que a Polícia Civil ouvisse novas testemunhas e afirmado que o inquérito foi entregue à promotoria sem que diligências necessárias para esclarecer o caso tivessem sido feitas.
A promotoria também havia pedido acesso ao inquérito da Polícia Militar que investiga a mesma situação. O objetivo era esclarecer um trecho do depoimento do PM Leandro Marques de Castro. O militar afirma que recebeu uma sacola de um morador da região para recolher os objetos de Wilque depois que ele já estava no chão.
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Faixas foram colocadas em Formoso do Araguaia
Jairo Santos/TV Anhanguera

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