Vídeo mostra ex-juiz eleitoral proibindo entrada de fiscais em galpão com lixo hospitalar

João Olinto afirmou que fiscais não poderiam entrar no local sem uma ordem de serviço. No mesmo dia, fiscalização encontrou quase 200 toneladas de lixo hospitalar em galpão irregular. Vídeo mostra juiz impedindo entrada de fiscais em galpão
Um vídeo divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira (14) mostra o ex-juiz eleitoral João Olinto impedindo a entrada de fiscais da Prefeitura de Araguaína em um galpão no distrito agroindustrial da cidade. Dentro do galpão foram encontradas quase 200 toneladas de lixo hospitalar depositado de forma irregular. (Veja vídeo)
Nas imagens, João Olinto afirma que os fiscais precisariam de uma ordem de serviço para entrar no local e por isso a entrada sem permissão seria uma invasão. Ele manda os funcionários públicos irem embora e ainda pergunta se vão voltar no mesmo dia.
“Vocês já invadiram. Vocês entraram na propriedade, pelo que fiquei sabendo […] Vocês vão retornar hoje? Não pode retornar hoje porque essa denúncia já caducou pela ausência da ordem de serviço. Vocês vão ter que ter uma segunda denúncia anônima, registrada com telefone, tudo bonitinho, para soltar uma OS e vir”, afirma ele nas imagens.
A Prefeitura de Araguaína confirmou que as imagens foram gravadas no mesmo dia em que os fiscais conseguiram entrar no galpão e flagrar o crime ambiental. Ainda segundo o município, a fiscalização tem força de polícia administrativa.
O ex-juiz eleitoral, que é pai do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), teve a prisão decretada e é considerado foragido. Segundo a Polícia Civil, ele seria dono da empresa Sancil Sanantonio Construtora e Incorporadora LTDA, contratada pelo governo sem licitação para recolher o lixo de 13 hospitais do estado. Duas mulheres que aparecem como sócia da firma também tiveram a prisão decretada.
“Ele tinha a função de coordenar os trabalhos da Sancil por interpostas pessoas. Ele não constava na relação de sócios da empresa, mas ele utilizou de duas funcionárias do escritório de advocacia para o fim de constituir essa empresa”, relatou o delegado Bruno Boaventura.
O galpão onde foi encontrado o lixo foi ligado ao deputado Olyntho Neto. Duas empresas que estão no nome dele estão registradas com o endereço no local. Além disso, um caminhão com lixo hospitalar foi encontrado pela polícia no hotel da família Olinto. O veículo também está registado no nome de uma empresa do parlamentar.
O G1 ligou para o escritório de advocacia e para o telefone de João Olinto, mas as ligações não foram atendidos.
Lixo foi encontrado dentro de galpão em Araguaína
Felipe Maranhão/TV Anhanguera
Suspensão do contato
Conforme a Polícia Civil, o lixo encontrado no galpão saiu do Hospital Regional de Araguaína e de outros hospitais estaduais. Após o escândalo, o secretário de Saúde do Tocantins, Renato Jayme, reconheceu que a empresa não tinha capacidade técnica para o trabalho.
O Estado suspendeu o contrato com a Sancil e chamou outra empresa para recolher o lixo dos hospitais em caráter emergencial.
Apesar dos danos ambientais e da contratação de uma empresa, pela Prefeitura de Araguaína, para retirar o lixo do galpão irregular, segundo o secretário não houve prejuízos pros cofres públicos.
Entenda
A polêmica envolvendo o lixo hospitalar começou na semana passada, quando um galpão foi encontrado com quase 200 toneladas de lixo hospitalar armazenado de maneira irregular. No galpão deveriam funcionar duas empresas cadastradas no nome do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), filho de João Olinto.
Nesta segunda-feira (12) um caminhão com lixo hospitalar foi encontrado dentro do terreno do hotel de João Olinto Garcia de Oliveira. O veículo estava no nome da empresa Agromaster S/A, também registrada no nome do deputado estadual.
Na semana passada, fiscais do meio ambiente e a Defesa Civil municipal interditaram o depósito clandestino depois que encontraram seringas, ampolas de remédio e curativos. “Há um potencial risco de contaminação pela quantidade de materiais diversos que se encontram nesse local”, explicou o engenheiro João Guilherme Almeida.
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Ex-juiz eleitoral impediu entrada de fiscais em galpão com lixo irregular
Reprodução

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