No Dia da Consciência Negra, idosos que sofreram racismo lembram de ataques: ‘Além de feia, é preta demais’


Relatório Anual de Desigualdade Social aponta que, no Brasil, a expectativa de vida das pessoas negras é menor do que de brancas Racismo impacta a expectativa de vida das pessoas pretas; Idosos falam das dificuldades
Preconceito, desigualdade, racismo e falta de acesso a serviços essenciais são algumas das dificuldades que as pessoas negras de todas as idades enfrentam no Brasil. Nesta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, idosos que moram no Tocantins se lembraram de momentos difíceis que passaram ao longo dos anos. Eles falam sobre casos de racismo e como superaram os ataques. (Veja o vídeo)
Além de ser crime, o racismo pode impactar a expectativa de vida das pessoas pretas. O Relatório Anual de Desigualdade Social aponta que a expectativa de vida das pessoas negras no Brasil não passa dos 67 anos. Já para quem tem a pela branca, 73 anos.
Joaquina Bispo tem 69 anos e já sofreu ataques somente por causa da cor da pele. Ela afirma que o racismo se intensificou ainda mais nos últimos anos, depois de ter se tornado idosa.
“Teve um rapaz que disse: mais que mulher feia. Além de feia, é preta demais”, lembra.
Atualmente ela é aposentada e já viu três filhos se formarem em universidades, mas a mulher lembra de um passado difícil. “Quando eu morava na fazenda eu vivia com trauma. Fui muito sofrida no meu casamento. E foi quando eu tive a decisão de vir para a cidade botar os filhos para estudar”.
Joaquina conta a história de quando mudou para Palmas em busca de novas oportunidades para os filhos
Reprodução/TV Anhanguera
Anos atrás, mesmo sem o apoio do companheiro, ela resolveu se arriscar para mudar de vida. “Na época, às vezes para lavar a roupa, eu lavava roupa de um mês. Era o dia todo: de seis da manhã até às seis da tarde. E não secava tudo e eu tinha que trazer essa roupa [molhada]. Colocava a bacia na cabeça. Eu estava para não aguentar mais, mas não podia deixar a roupa alheia lá no mato. Tinha que trazer assim mesmo”, lembra.
Joaquina conta que fazia o serviço pesado porque não tinha outra escolha. “Se eu não tivesse esse tanto de menino para cuidar… Eu pensava: só eu dá pra vencer. Mas eu lembrava dos meninos e pensava: eu tenho que enfrentar. Eu tenho que ir em frente. E consegui”, disse.
Guilherme Nunes tem 79 anos, é apaixonado por futebol e gosta de escrever poesias. Nos textos ele faz rimas, relembra quando se mudou para o Tocantins, no fim dos anos 70, e também gosta de falar sobre Deus e da natureza.
Mas o homem alegre conta que já foi humilhado, por causa da cor, ao procurar uma unidade de saúde. Ele disse que o médico gritou e se recusou a fazer o atendimento.
“É pela questão racial. Me senti humilhado. Não tinha nada mais. É humilhação o que eu senti”, conta.
Guilherme Nunes de 79 anos sofreu racismo ao procurar por atendimento médico
Reprodução/TV Anhanguera
Para que a violência racial diminua, os casos de racismo e injúrias raciais precisam ser denunciados em delegacias de polícia.
Celenita Galberto, que é pedagoga quilombola, explica a tranquilidade de idosos negros não deve ser momentânea, mas definitivamente. Para isso, algumas ações que podem combater o racismo devem ser potencializadas.
“Assegurar a formação de uma geração futura. De crianças e jovens que serão conscientes da riqueza que é a pluralidade e da necessidade da igualdade racial no Brasil”, explicou.
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