Grávidas reclamam que não podem ser acompanhadas na hora do parto e fazem protesto na frente de maternidade; Vídeo


Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirma que decisão de não permitir acompanhantes nos 18 hospitais estaduais do Tocantins é para evitar a transmissão do novo coronavírus. Mulheres grávidas fazem protesto e pedem acompanhantes na hora do parto
Yonny Furukawa/TV Anhanguera
Um grupo de mulheres grávidas se reuniu na tarde desta quinta-feira (19) na frente do Hospital e Maternidade Dona Regina, em Palmas, para protestar contra a decisão de não permitir acompanhantes na hora do parto. É que desde o início da pandemia do novo coronavírus os pacientes de unidades públicas do Tocantins precisam ficar sozinhos. A medida é para evitar a disseminação da doença.
O protesto começou no início da tarde e às mulheres também estiveram na frente do prédio do Ministério Público Estadual. Com cartazes, as grávidas chamaram atenção para a necessidade de estarem acompanhadas no momento de dar à luz. (Veja o vídeo)
A suspensão de acompanhantes e de visitas vale para todos os 18 hospitais da rede estadual do Tocantins, mas as gestantes acreditam que a medida aplicada para mulheres que estão em trabalho parto se trata de violência obstétrica.
A medida deixou mulheres preocupadas e reclamações são feitas há mais de sete meses, mas o Estado não cedeu aos pedidos. Somente pacientes menores de idade ou com alguma incapacidade física, mental ou emocional para cuidar de si ou do bebê recém-nascido podem estar acompanhadas.
Em uma nota de esclarecimento, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que “o direito e a importância do acompanhante não estão em discussão e não devem sequer ser questionados”, mas que medidas extremas foram necessárias para garantir a segurança de pacientes e servidores. Leia abaixo a nota na íntegra.
Disse ainda que a decisão de não permitir acompanhantes nos hospitais foi tomada após “vários estudos, orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde e medidas necessárias ao enfrentamento deste momento pandêmico”.
O acesso de acompanhantes e visitantes em hospitais públicos do Tocantins se tornou restrito em março deste ano e o anúncio foi feito um dia depois do primeiro caso de coronavírus ser confirmado no Tocantins.
Desde o início a medida não foi aceita pelas gestantes e a Defensoria Pública chegou a entrar com uma ação na Justiça questionando a decisão do Estado. Na época, em menos de 30 dias, mais de 40 mulheres procuraram ajuda dos defensores públicos em Palmas.
Mulheres grávidas que não podem ter acompanhante em maternidade fazem protesto
Nota de esclarecimento da Secretaria de Estado da Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que a decisão de não permitir acompanhantes nos hospitais da rede hospitalar estadual foi tomada pelos técnicos da Secretaria de Estado da Saúde-SES-TO, orientados pelo Gabinete de Crise Estadual, os quais sopesaram vários estudos, orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde e medidas necessárias ao enfrentamento deste momento pandêmico, tão atípico da saúde mundial.
Assim, medidas extremas foram e têm sido muitas vezes necessárias, visando garantir a segurança de pacientes e servidores, decisão esta, válida para TODOS os 18 hospitais da rede estadual e não apenas para o HMDR. As decisões tiveram como base e orientação o Plano de Contingência Estadual, assim como seu Plano de Contingência COVID-19 HMDR, permanentemente atualizado.
A SES ressalta que o direito e a importância do acompanhante não estão em discussão e não devem sequer ser questionados. Toda equipe do HMDR, assim como da SES-TO têm plena consciência da sua importância para a gestante, puérpera e RN neste momento único que envolve o parto.
A SES também informa que o Tocantins não é o único Estado da federação a adotar esta medida, pois quanto menos pessoas dentro da Unidade hospitalar, dos quartos, usando um mesmo banheiro, dormindo e comendo juntas, transitando pelos corredores, trocando de acompanhante, saindo à rua para resolver questões pessoais (não há como obrigar o acompanhante a ficar 2 a 3 dias sem se locomover), menor será o risco de contágio.
Além disso, a triagem dos acompanhantes, por si só, não garante que o paciente não tenha COVID, pois, o paciente contaminado transmite o vírus antes mesmo de aparecerem os sintomas. Mesmo que o acompanhante traga resultado de exames de COVID-19, sabemos que, quando o paciente ainda está assintomático, o resultado pode concluir um falso negativo.
Ressalte-se ainda, que estão sendo autorizados acompanhantes, desde o início da pandemia, para pacientes menores de idade ou com alguma incapacidade física, mental ou emocional, seja incapacidade para cuidar de si mesma ou do seu RN, tais como: gemelares, prematuridade extrema, fetos muito graves, pacientes com comorbidades que podem descompensar na hora do parto ou pós parto e outras a critério médico.
Aliado a tudo isso, o noticiário diário tem informado que os casos de Covid-19 tem aumentado substancialmente pelo país, no período pós-eleitoral. O número de ocupações dos leitos de UTI nos demais Estados da federação indicam que uma espécie de “segunda onda” da Covid-19 não é uma hipótese infundada. Assim sendo, quaisquer medidas que resultem em flexibilização das regras são temerárias.
Por fim, ressaltamos que é responsabilidade e dever do Estado garantir, dentre outros, a segurança de pacientes, nascituros e profissionais, bem como garantir o direito à vida. Em que pese o direito ser constitucional e soberano, além de existir legislação sobre acompanhantes, neste momento atípico cabe à autoridade sanitária garantir a segurança e ordem necessárias.
Hospital e Maternidade Dona Regina, em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
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