Brigadistas suspendem combates a incêndios na Ilha do Bananal após determinação do Ibama: ‘prejuízo incalculável’


Os 180 brigadistas do PrevFogo tiveram que parar os trabalhos; Sem verbas, associação diz que homens estavam pagando alimentação do próprio bolso. Ilha está dentro de um parque nacional e também é lar de várias etnias indígenas. Ibama interrompe ações de prevenção à queimadas no Tocantins
Os brigadistas que atuavam na região da Ilha do Bananal, no Tocantins, suspenderam os combates a incêndios depois que um ofício encaminhado pelo chefe do Centro Especializado PrevFogo/Dipro determinou a interrupção dos trabalhos em todo país. A TV Anhanguera apurou que ainda existem focos de incêndio na região, que estavam sendo combatidos pelas equipes até esta quarta-feira (21).
Eram 180 homens no combate às queimadas na região. A Ilha queima há meses. No início de setembro, militares do exército chegaram a ser enviados para a região para ajudar no combate. Em nota, a associação dos servidores do Ibama no Tocantins destacou que “o prejuízo ambiental de abandonar, por um dia que seja, o combate aos incêndios florestais é incalculável.”
Aldeia Canuanã é fica dentro da Ilha do Bananal, no território de Formoso do Araguaia
Polícia Militar/Divulgação
A Ilha do Bananal e a maior ilha fluvial do mundo. No local está situada unidade de conservação Parque Nacional do Araguaia e as terras indígenas Parque do Araguaia e Inãwébohona. Em uma área conhecida como Mata do Mamão, inclusive, foram avistados indígenas isolados que vivem sem contato com a sociedade.
“Essa decisão do Ibama de retirar os brigadistas do Prevfogo da área da Mata do Mamão, na Ilha do Bananal, além de representar um risco enorme de agravamento nos incêndios nesse final de temporada, representa ainda um descumprimento a uma decisão judicial que determina ao Ibama e ao ICMBio a proteção dessa área em razão da possível presença de indígenas isolados na região”, comentou o procurador da república Álvaro Manzano.
A nota também criticou o argumento de que faltam recursos para o combate a queimadas. “Embora o argumento para a decisão de retirada dos brigadistas seja a falta de recursos, de acordo com o Portal da Transparência, dos R$ 1.7 bilhões previstos para o IBAMA, somente R$ 929 milhões (54%) foram gastos, faltando 2 meses para o fim do ano.”
No Tocantins, segundo a associação, a grande maioria dos contratos está atrasados. Veículos próprios da instituição, incluindo aqueles utilizados no combate aos incêndios florestais, já estavam parados por falta de combustível. Os brigadistas também estariam sem receber diárias de alimentação desde agosto. Prédios do Ibama no estado também estariam com três meses de faturas de água e energia atrasados.
Parte da Ilha foi devastada no início de outubro
Reprodução/TV Anhanguera
Questionado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enviou nota informando que “a determinação para o retorno dos brigadistas que atuam no Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) acontece em virtude da exaustão de recursos”.
Segundo a nota, desde setembro a autarquia passa por dificuldades quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional. “Para a manutenção de suas atividades, o Ibama tem recorrido a créditos especiais, fundos e emendas. Mesmo assim, já contabiliza R$ 19 milhões de pagamentos atrasados, o que afeta todas as diretorias e ações do instituto, inclusive, as do Prevfogo”, afirmou.
A Secretaria do Tesouro Nacional foi procurada, mas ainda não se posicionou. O G1 também questionou o governo do Tocantins se há possibilidade do envio de homens para continuar com o combate a queimadas na região e aguarda um posicionamento.
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