Gol do Fluminense ressalta importância da psicologia no esporte de elite

Atlético Mineiro e Fluminense fizeram um dos melhores jogos da rodada do Campeonato Brasileiro na noite desta quarta-feira, 14, no Mineirão, em Belo Horizonte. O empate por 1 a 1 contou com um golaço de Caio Paulista, o primeiro do atacante do Tricolor de 22 anos como jogador profissional. O chutaço de perna esquerda no ângulo do goleiro Everson foi bonito não só apenas pelo gol, mas pelo o que representou. Caio, que passou por dificuldades por se firmar e sentia o peso de ainda não ter marcado como profissional, dedicou o tento à psicóloga do Fluminense.

“Ela conversou bastante comigo e me disse para, durante a noite, pensar no gol, pensar na jogada, respirar a cada movimento do jogo. As coisas aconteceram hoje muito por causa disso”, disse o atacante se referindo à Emily Gonçalves, profissional de psicologia do Fluminense.

O jejum de Caio Paulista durava desde 2018. Cria das categorias de base, o atacante se transferiu para o Avaí e marcou um gol pela última na equipe sub-23 do time catarinense. A recuperação do jogador, de volta ao Fluminense e cada vez com mais espaço com o técnico Odair Hellmann, passou por um trabalho de recuperação da confiança, feito por Emily Gonçalves.

A implementação da psicologia no esporte não é algo novo, mas é prática cada vez mais comum no alto nível de todas as modalidades. O americano Michael Phelps passou por problemas de depressão e já afirmou, em diversas entrevistas, sobre a importância do trabalho mental para voltar a competir. Outro nadador, o brasileiro Bruno Fratus, passou por situação semelhante e é um dos poucos atletas do país que se sente à vontade para falar sobre o tema. “A preparação mental tem uma importância tão grande quanto o treino físico e a parte técnica”, resume.

Em um ano atípico por causa da pandemia do coronavírus, a importância no trabalho dos psicólogos do esporte aumentou ainda mais. Em apresentação ao Webinar CBF Social: psicologia no futebol em tempos de pandemia, em maio, o doutor Alberto Filgueiras expôs dados preocupantes sobre a incidência de ansiedade e depressão em atletas – o que afeta, de modo direto, o desempenho em alto nível.

De acordo com dois estudos analisados por Filgueiras sobre saúde mental, a porcentagem de prevalência comparativa de ansiedade e depressão entre atletas profissionais é maior do que na população em geral em quatro pontos analisados: transtornos depressivos (18% nos atletas contra 5% na população em geral), transtornos de ansiedade (14% contra 9%), abuso de drogas, cigarro ou álcool (21% contra 4%) e transtornos similares (16% a 8%).

A situação de Caio Paulista não se compara com a de Phelps ou a de Fratus, mas ajuda a mostrar como até dilemas mais simples podem ter um desfecho mais saudável com a ajuda da psicologia. Bom para o atacante, que encerrou o jejum e terá mais confiança para a sequência do campeonato. Bom para o Fluminense, que ganhou uma boa opção para o ataque.

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Autor: Alexandre Senechal

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