Ouro internacional na matemática estudava até 11h por dia no Ceará

Marcel Rizzo
Fortaleza, CE

Em 2018, Pedro Gomes Cabral deixou o Recife, onde vivia desde que nasceu, para morar no alojamento de um colégio particular de Fortaleza que ofereceu a ele uma bolsa de estudos. A partir daí a vida do garoto, hoje com 18 anos, passou a ser estudar até 11 horas por dia, como regra, e visitar os pais Jarbas e Maria Eugênia a cada dois meses.

O fruto disso pode ser visto na parede de casa: as medalhas em Olimpíadas de Matemática. A especialidade de Pedro trouxe a última conquista e a mais gloriosa: medalha de ouro na edição 2020 da Olimpíada Internacional de Matemática, a principal competição da disciplina entre estudantes de 14 a 19 anos.

Outros cinco brasileiros, dois alunos de escolas do Ceará, um do Rio, outros dois de São Paulo e Piauí foram premiados no anúncio feito no fim de setembro, todos com medalhas de prata. O único ouro brasileiro foi de Cabral.

“Sempre gostei de matemática, mas tinha até outras matérias preferidas na escola. Em 2016, um professor do colégio que eu estudava no Recife me apresentou a Olimpíada e incentivou. Você tem que passar pela Olimpíada Brasileira, fui bem, convidado para participar de um treinamento com os melhores colocados e acabei pegando gosto”, relembra Cabral.

Ele passou a dedicar boa parte do estudo para essas provas e os resultados foram aparecendo: em 2018 foi bronze na Olimpíada Mundial, resultado que chamou a atenção de um colégio privado de Fortaleza, o Farias Brito, que fez o convite para estudar e morar na capital cearense.

Sem os pais. “Foi tranquilo, me adaptei bem e a cada dois meses nos víamos, mais ou menos. Foi bom para poder se dedicar bem aos estudos”, diz.

Em 2019 uma nova medalha na Olimpíada Internacional, de prata; mas ainda faltava o ouro. A dedicação, então, chegou a 11 horas de estudo por dia para atingir o objetivo, mas de um jeito diferente. Por causa da pandemia do coronavírus, a edição 2020, que seria em São Petersburgo, na Rússia, acabou realizada de maneira remota. Os alunos foram até uma universidade de sua cidade para responder às perguntas.

“A prova foi igual, no papel, a diferença é que não estava todo mundo na mesma sala. A minha foi dada na Universidade Federal do Ceará, monitorada por câmeras e professores. Tinha o computador, mas só mesmo para me filmar realizando a prova”, conta Cabral, que já visitou sete países para Olimpíadas. A medalha tão cobiçada, por esse motivo, ainda não está em suas mãos e deve chegar por entrega postal em breve.

Ele contou que a Covid-19 não alterou seu método de estudo, com a exceção que não houve treinamentos presenciais comuns na véspera desses eventos. A Olimpíada Internacional de Matemática ocorre desde 1959, e a edição de 2020 reuniu alunos de 105 países, apesar das limitações causadas pela pandemia.

O Brasil terminou em décimo lugar, à frente de países como França e Alemanha. A seleção para participar da competição varia de país para país: no Brasil é feito por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Todos os alunos que conquistam medalhas na OBM podem se inscrever para a edição internacional, e uma comissão define qual será a equipe.

Formado no ensino médio, hoje Cabral está de volta ao Recife, morando com os pais. Mas não por muito tempo. Mesmo ainda sem saber exatamente qual profissão pretende seguir, ele ingressou em uma universidade na França, próxima a Paris, e já faz, por meio de aulas virtuais (também por causa da pandemia), duas graduações, matemática e ciências da computação.

“Devo viajar ainda em outubro para lá, para dar início às aulas presenciais”, afirma Cabral, que não poderá mais visitar os pais a cada dois meses.

As informações são da FolhaPress

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