Médica que debochou de idosa em estado grave e negou leito em sala vermelha é indiciada por homicídio


Segundo a Polícia Civil, ao ver a idosa sendo levada para a sala vermelha a profissional duvidou do estado de saúde da paciente. “Ela está boa toda, melhor do que eu”. Caso foi no Hospital Regional de Araguaína. Caso foi registrado no Hospital Regional de Araguaína
Reprodução/TV Anhanguera
Uma médica do Hospital Regional de Araguaína (HRA) foi indiciada pela morte de uma paciente de 86 anos. De acordo com as investigações da Polícia Civil, ela debochou e duvidou do estado de saúde de Doralice Cavalcante Rodrigues, que deu entrada na unidade em estado grave. A médica não permitiu que a paciente recebesse tratamento na sala vermelha da unidade. “Ela está boa”, disse a profissional.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) foi procurada para comentar o caso, mas ainda não se posicionou.
O caso foi registrado em dezembro de 2018 e as investigações foram encerradas nesta quarta-feira (23). Por causa da conduta, a médica de 43 anos foi indiciada por homicídio doloso majorado, já que “tinha o dever legal, como médica, de cuidado e o comportamento dela ocasionou, de forma direta, a morte da idosa”, disse a Secretaria de Segurança Pública (SSP).
De acordo com as investigações, no dia 5 de dezembro de 2018 a idosa passou mal, foi atendida em casa por uma equipe do Serviço Móvel de Urgência (Samu) e levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araguaína.
Os profissionais da unidade constataram que a idosa sofria de pneumonia aguda e estava debilitada por causa do agravamento de um quadro de insuficiência respiratória. Por causa da situação, ela foi rapidamente encaminhada ao Hospital Regional de Araguaína.
Ao chegar no HRA, Doralice Cavalcante Rodrigues foi imediatamente levada para a sala vermelha para que pudesse receber cuidados intensivos, mas quando ia ser retirada da maca do Samu para ocupar um leito, a médica plantonista determinou que os funcionários retirassem a idosa e a levassem para a sala verde, onde ficam pacientes que tratam doenças mais leves.
Segundo a polícia, um vídeo feito por um neto de Doralice Cavalcante mostra a médica debochando do estado de saúde da paciente. “Ela está boa toda, melhor do que eu”. As imagens foram apresentadas na delegacia e os agentes disseram que a médica estava “demonstrando total desdém”.
Testemunhas disseram que enquanto a médica falava que a idosa estava bem, ainda empurrava a maca de forma brusca. A cena chocou o acompanhante e funcionários do hospital.
A polícia informou que por causa do tratamento inadequado que recebeu, a idosa morreu no dia seguinte por insuficiência respiratória. “A vítima passou por grande sofrimento, sendo que sua morte ocorreu 21 horas depois de dar entrada no HRA”, informou a SSP.
O caso foi concluído pela polícia e a agora a médica ficará à disposição da Justiça.
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