Fome: governo precisará intervir

Hylda Cavalcanti
redacao@grupojbr.com

Um estudo do Banco Mundial ressalta que os cenários de contração econômica e aumento da pobreza serão determinados pelas medidas que os governos estão adotando, pela duração da crise, pelo choque específico de renda em cada país e como esse choque está impactando nos diferentes setores.

A crise da covid-19 pode fazer com que a pobreza extrema volte a atingir mais de 1 bilhão de pessoas, alerta o estudo do Banco Mundial. Isso porque milhões de pessoas vivem somente um pouco acima da linha da pobreza.

É o que aponta relatório elaborado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Intitulado “Como evitar que a crise da covid-19 se transforme em uma crise alimentar: Ações urgentes contra a fome na América Latina e no Caribe”, o trabalho denuncia o crescimento  significativo dos níveis de fome na região como consequência imediata. O estudo constata que, após sete anos de crescimento lento, de acordo com os órgãos internacionais, a região da América Latina e Caribe poderá ter a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) regional em um século, chegando a – 5,3%.

“Essa população já vive normalmente uma situação precária e qualquer choque econômico pode levá-las de volta à pobreza”, afirmou o professor de Desenvolvimento Internacional da King’s College, Andy Sumner , um dos autores do estudo.

Impactos conjuntos

Em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a mudança de parâmetros será observada pela primeira vez, porque, apesar das várias crises econômicas, esta é a primeira vez que haverá impacto conjunto em saúde, educação e renda, explicou o técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Achim Steiner.

“O mundo passou por muitas crises nos últimos 30 anos, incluindo a crise financeira global de 2007 a 2009. Cada uma delas afetou fortemente o desenvolvimento humano, mas, em geral, os ganhos de desenvolvimento foram  acumulados globalmente ano a ano. Desta vez, esses ganhos não serão vistos”, destacou.

Para Steiner, a crise mostra que, se o conjunto de ferramentas de políticas não levar em conta a redução das desigualdades, muitas pessoas ficarão ainda mais para trás.

O que o pesquisador alerta é que os avanços tecnológicos também estão provocando fossos de desigualdade. “Isso é particularmente importante para as ‘novas necessidades’ do século 21, como o acesso à internet, que está ajudando na educação a distância, telemedicina e trabalho remoto”, frisou também o diretor do Escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud, Pedro Conceição.

Série

Cientistas diversos já avaliam mudanças nos parâmetros de índices sociais de vulnerabilidade e desigualdade com alertas para a importância de serem criadas políticas públicas que possam conter esse mal ainda mais avassalador do que a pandemia da covid-19. Durante esta semana, o Jornal de Brasília apresentará uma série de reportagens, baseadas em seis estudos elaborados nos últimos três meses pelas mais diversas entidades para mostrar como pensam e o que acham os especialistas sobre o assunto. O material está publicado na editoria de Cidades porque partirá dos dados globais dos estudos para depois descer ao drama vivido no Distrito Federal.

Leia matéria na íntegra no Site Portal de Brasília

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