Drama de donos de vans escolares

O fechamento das escolas no Distrito Federal em decorrência da pandemia não afetou apenas guardiões, alunos e educadores. Sem aulas, os transportes escolares vivem seis meses de ociosidade, com prejuízos financeiros e nas frotas de quem ganha a vida levando estudantes para os locais de ensino. Ainda que conte com auxílio do Governo do Distrito Federal (GDF), a categoria convive com os riscos de manter a frota parada, com obrigações por pagar e com a incerteza de quando voltarão às ruas.

Em junho, o GDF aprovou o pagamento de um auxílio emergencial à categoria. Previsto na Lei nº 6.621/2020, o benefício foi pago em duas parcelas de R$ 1.200 aos condutores cadastrados junto à Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) e à secção candanga do Departamento Nacional de Trânsito (Detran/DF) até 31 de janeiro. No total, foram R$ 6 milhões destinados ao projeto, através do Banco de Brasília (BRB).

Dona da Tia Jozi Transporte Escolar, Jozilene Lopes explicou ao Jornal de Brasília que o auxílio não se fez necessário. “Minha situação é um pouco diferente, porque eu uso apenas como complemento de renda”, afirma a empresária. Ainda assim, o prejuízo de deixar o único carro da empresa parado a fez cogitar a venda do veículo, adquirido recentemente. Com dois funcionários, sendo um motorista e uma monitora para os estudantes.

Exclusiva para o colégio La Salle de Águas Claras, a empresa de Lopes contou com a solidariedade dos responsáveis pelas crianças para manter o salário dos funcionários até, pelo menos, julho. “Eu fiz uma proposta no dia 16 de março, logo quando vieram os decretos, para poder pagar os salários”, conta. Dos 43 alunos que transportavam, cerca de 40 continuaram pagando as mensalidades, ainda que com descontos de até 60% no valor. Hoje, seis meses depois da chegada do novo coronavírus à capital, apenas dez continuam colaborando.

Maior tensão

Situação mais dramática vive Ércio Ferreira Beltrão, fundador da Eficaz Transporte Escolar. Com três ônibus de passeio e cinco vans para locomoção regular de estudantes dos Guarás I e II para a Asa Sul, a frota da empresa também está parada desde março, e a falta de manutenção cobra seu preço. “Como ficam parados, eu já perdi bateria, tive problema nos pneus. E ainda preciso lavar, higienizar direito para não corroer a pintura”, lamenta o empresário.

Mesmo com a aplicação, ele teve o pedido de auxílio negado pelo governo. No caso de Beltrão, a família inteira é envolvida no negócio, e depende da renda para viver. O filho mais velho e a esposa de Ércio colaboraram com os outros cinco funcionários que mantinham a Eficaz em funcionamento. “Era a nossa renda. Sem ela, precisamos vender uma van, e estamos sobrevivendo com o dinheiro dessa venda”, comenta o empresário, que possui mais três filhos pequenos. Ainda assim, ele entende que é precipitado pensar em um retorno das aulas em 2020.

Isto porque, segundo diz, “a saúde vem primeiro”. “Não tem como bloquear o toque. Elas não entendem, e a maioria dos pais não quer mandar os filhos de volta à escola”, atenta Ércio. Os mais de cem clientes do transportador, aos poucos, foram minguando, e hoje as contribuições dos antigos consumidores já não conseguem cobrir os custos de manutenção.

Trabalho temporário a funcionários

Os funcionários, atualmente, já foram liberados para realizar trabalhos temporários em outros lugares. Com os imbróglios a respeito da volta às aulas, mais gastos com limpeza foram necessários.

Segundo a última atualização na relação do Serviço de Transporte Coletivo Escolares do DF, de 27 de janeiro, nenhum veículo que se dedica ao deslocamento de estudantes está com o cadastro em dia. As autorizações mais recentes venceram em julho. De acordo com Nazon Vilar, presidente do Sindicato dos Transportes Escolares (Sintresc/DF), não há qualquer previsão para uma nova regularização de trabalhadores, veículos e empresas. “A gente sempre orienta os condutores a não andarem sem os registros, então precisaremos de renovações nesses cadastros; até agora não há previsão”, comenta o sindicalista.

Conforme disse ao JBr., a entidade contabiliza 2.046 transportadores cadastrados no Distrito Federal. Destes, receberam o auxílio 1.068 dos cadastrados, cerca de 650 a menos que o previsto pelo governo distrital quando da formatação do incentivo emergencial. Sobre os equipamentos, Vilar considera que são gastos “naturais”, e que o auxílio se deu para colaborar não com os carros, mas com a alimentação da categoria. “São coisas inerentes à profissão. Não prevíamos que seria tanto tempo, mas faz parte”, conforma-se o dirigente classista.

Ainda que a volta das aulas presenciais pareça distante, Nazon atenta que não há sequer discussões a respeito de medidas de segurança para os transportadores, bem como não há instruções para lidar com os estudantes.

Saiba Mais

De acordo com Nazon Vilar, presidente do Sindicato dos Transportes Escolares (Sintresc/DF), ainda faltam algumas pendências e já foram feitas solicitações, como protocolo de segurança, para quando as aulas retornarem e as crianças poderem andar nas vans escolares com toda a tranquilidade possível, diminuindo riscos de infecção pelo novo coronavírus.

“Nós enviamos questões ao Detran cobrando protocolo, mas eles falaram que não há, porque não tem previsão de retorno das aulas”, confessa. “Nós pedimos prioridade nas testagens, já que estarão em contato com várias pessoas, além de dirigir com alguns sintomas desse vírus”, explica Vilar.

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