Idoso morre após ser internado em hospital de Dianópolis e servidores dizem que não havia médico para fazer atendimento


Paciente, de 79 anos, foi encaminhado para a unidade em estado debilitado e morreu horas depois. Servidores dizem que problema da falta de médicos continua, mesmo após governo ter afirmado que situação foi regularizada. Mesmo após Governo regularizar escala, Hospital de Dianópolis volta a ficar sem médico
Servidores do Hospital Regional de Dianópolis, no sudeste do Tocantins, denunciaram que a unidade continua sem médicos e que, por causa disso, pacientes estão desassistidos. Nesta quarta-feira (2), a médica plantonista não compareceu. Um idoso, de 79 anos, que deu entrada em estado debilitado, morreu horas depois.
O paciente é Dário Araújo, de 79 anos. Servidores disseram ter acionado o diretor técnico da unidade, que foi até o local, mas o paciente não resistiu.
“Deu entrada um senhor de 79 anos com problemas renais, dispneia, com várias comorbidades. Esse paciente ficou sem atendimento médico, sem assistência médica, das 7h da manhã às 11h45, que foi quando o diretor clínico foi chamado. Na verdade, ele foi chamado pela manhã e só veio chegar aqui 11h45, só que quando ele chegou na unidade, esse paciente tinha sofrido uma parada cardíaca e ido a óbito”, relatou uma servidora que preferiu não se identificar.
O G1 fez reportagens sobre a situação do local, que ficou cerca de cinco dias sem médicos. A única médica que presta esse serviço no hospital foi afastada na última semana após testar positivo para o novo coronavírus. Durante quase uma semana, pacientes precisaram percorrer pelo menos 300 quilômetros para conseguir os atendimentos.
Nesta terça-feira (1º), a unidade disse que havia regularizado o problema, mas servidores afirmam que a situação continua.
Situação é no Hospital de Dianópolis, no sudeste do Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
A Secretaria Estadual de Saúde confirmou a morte do paciente e admitiu que a médica escalada não compareceu por motivos externos, mas a nota não explica quais. A secretaria nega desassistência e que o médico do plantão da noite continuou no atendimento.
A secretaria informou ainda que vai contratar mais dois médicos ainda esta semana. A contratação de profissionais é compartilhada entre a Secretaria Estadual da Saúde e uma empresa com endereço no Rio de Janeiro. O vínculo do instituto com o governo já foi questionado pelo Ministério Público Estadual e há investigações em andamento no Ministério Público Federal.
No dia 13 de agosto, o governo publicou no Diário Oficial a quinta prorrogação do contrato com esse instituto. O valor é superior a R$ 2,4 milhões. Em nota, a empresa disse que está com dificuldades no Hospital Regional de Dianópolis por causa da pandemia.
Segundo a nota, médicos que atuam na unidade foram contaminados e tiveram que se afastar. A empresa disse que assinou contrato com o estado em 2016, mas até os dias atuais, recebe os mesmos valores, fator que a impede de melhorar o salário dos plantonistas. O instituto afirmou ainda que desconhece as investigações do Ministério Público.
O hospital de Dianópolis é o único de referência para o sudeste do Tocantins e cobre nove municípios onde vivem 60 mil pessoas. O problema com a falta de médicos é antigo.
Em julho deste ano, a unidade também ficou cinco dias sem médicos. A Justiça mandou o Estado contratar mais profissionais. A unidade tem 10 médicos contratados, mas na época cinco estavam de licença e outros quatro atendiam apenas especialidades. Só que a decisão ainda não foi cumprida, segundo o Ministério Público.
O Conselho Regional de Medicina afirma ter feito várias fiscalizações no local. “Além das vistorias, espontâneas que a gente faz de rotina, nós também fazemos as vistorias sob demanda, sob denúncia, que vem acontecendo lá. E todas essas denúncias a gente tem noticiado tanto à gestão estadual, quanto aos órgãos competentes, a promotoria, a defensoria, justamente para que a população de Dianópolis não fique desassistida”, argumentou o diretor do CRM Fábio Moraes.
O que diz a Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde disse que o paciente idoso foi atendido pelo clínico geral de plantão e que chegou com fortes dores na região da próstata e já debilitado.
Segundo informações de familiares, que acompanhavam o paciente, o idoso morava sozinho, não estava se alimentando há alguns dias e tinha histórico de tratamento de câncer na próstata.
Mesmo com atendimento prestado, ele não resistiu e morreu, disse a nota. A secretaria garanti também que está trabalhando para manter os atendimentos médicos regulares no hospital.
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