‘Me sinto abandonado’, diz homem que deixou de ser atendido em hospital que ficou cinco dias sem médico


Hospital atende pacientes de Dianópolis e de mais oito cidades. Ademar Pereira conta que buscou atendimento em Goiânia. Hospital de Dianópolis fica por 5 dias sem médicos para atender pacientes
“Me sinto abandonado”. A frase foi dita por um lavrador que já sofreu com a falta de médicos no Hospital Regional de Dianópolis, mesma unidade que recentemente ficou cinco dias sem nenhum profissional. Ademar Pereira conta que, por falta de assistência, precisou que ir a outro estado para conseguiu atendimento. (Veja o vídeo)
“A gente tem o hospital aqui. Tem que sair. Os que não vão para Palmas ou Porto Nacional vão para Goiânia ou Brasília para fazer tratamento”, disse o homem que buscou atendimento em Goiás.
A unidade ficou sem médico após a única profissional da unidade ser diagnosticada com coronavírus e precisar ficar em isolamento domiciliar. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que outro profissional foi contratado e que a escala de setembro foi regularizada. (Leia abaixo a nota na íntegra)
Mas os pacientes que procuraram atendimento na manhã desta quarta-feira (2) estão sendo informados que só haverá médico no início da noite. Servidores do hospital confirmaram a informação. O G1 pediu um novo posicionamento à Sesau e aguarda uma resposta.
Os moradores da cidade estão preocupados com a falta de assistência recorrente. A professora Aline Dias acredita que o atendimento agora deveria ser reforçado. “É imoral. Em plena pandemia, algo que é atípico, que ninguém esperava, passarmos por situações de ficar cinco dias sem médico”, reclamou.
Além de Dianópolis, cidade com mais de 22 mil habitantes, o Hospital Regional é responsável por atender moradores de mais oito municípios. A falta de estrutura faz com que os pacientes tenham que percorrer longas distâncias em busca de atendimento.
A unidade tem uma sala equipada com respiradores, mas os aparelhos quase não são usados por falta de profissionais. “Nós viemos sofrendo com essa falta de médico. E agora se intensificou muito. E com essa pandemia a nossa situação é muito difícil”, disse uma servidora que não quis se identificar.
Paciente precisou viajar para conseguir atendimento
Reprodução/TV Anhanguera
A família de Direne Volnei, de 87 anos, informou que houve negligência no atendimento dela no Hospital Regional de Dianopólis. A idosa morreu por coronavírus após precisar ser transferida à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Palmas.
Os parentes da paciente Direne Volnei contam que ela sofreu com a falta de profissionais mesmo antes dessa situação. Eles também disseram que a idosa demorou a ser atendida. Dona Direne fez aniversário em um leito e a comemoração à distância é uma das últimas lembranças que os parentes têm da paciente viva.
Os problemas são antigos e a Justiça já havia determinado que o Governo Estadual organizasse a escala de médicos para que a população não fique sem atendimento, mas a decisão não foi cumprida. Agora a promotoria pediu aplicação de multa.
“Considerando que não há médicos no hospital, não é possível realizar nenhum tipo de atendimento e de internação. Então o paciente, com Covid ou acidentados, não podem ser atendidos”, disse a promotora de justiça, Luma Gomides.
O que diz a Secretaria Estadual de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Hospital Regional de Dianópolis (HRD), informa que a escala médica de setembro está regularizada. As faltas que houveram no final de agosto foram pontuais, relacionadas a profissionais médicos, que testaram positivo para Covid-19, necessitando do afastamento laboral.
A SES explica que a paciente citada por este veículo, foi internada no Hospital de Dianópolis no dia 30/07, sendo assistida adequadamente pela equipe médica, recebendo alta no dia 31/07. A paciente não apresentava sintomas da Covid-19 naquele momento, tendo como comorbidades, sequelas de AVC, cardiopatia e dificuldades de mobilidade.
A SES esclarece ainda que os familiares resolveram procurar outro atendimento em unidade privada de Palmas. Ressalta-se que a unidade Hospitalar de Dianópolis prestou o apoio necessário neste caso, acolhendo a paciente até a liberação de vaga na Capital, na referida unidade privada, além de liberar ambulância, com profissional de saúde para fazer o transporte. Portanto, não houve demora ou falta de assistência para esta paciente.
Cidades atendidas pelo Hospital Regional de Dianópolis
Dianópolis – 22.424 moradores
Taguatinga – 16.825 moradores
Ponte Alta do Bom Jesus – 4.591 moradores
Novo Jardim – 2.745 moradores
Porto Alegre do Tocantins – 3.170 moradores
Almas – 6.979 moradores
Taipas do Tocantins – 2.166 moradores
Rio da Conceição – 2.171 moradores
Conceição do Tocantins – 4.087 moradores
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