Paciente que espera realização de cirurgia no HGP diz que teme ser infectado pelo coronavírus: ‘Situação deplorável’


Cirurgias eletivas foram suspensas no Tocantins até para pacientes que aguardam procedimentos há anos. Com as cirurgias eletivas paralisadas, paciente reclama de descaso em tratamento no HGP
Pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) estão sofrendo enquanto aguardam a realização de cirurgias eletivas no Tocantins. Estes procedimentos foram suspensos por causa da pandemia do novo coronavírus e, atualmente, cerca de 6 mil pessoas estão na fila. O número supera a quantidade de cirurgias deste tipo feitas ao longo de 2019. (Veja o vídeo)
Júlio Martins diz que está sem assistência mesmo estando com uma mão quebrada no Hospital Geral de Palmas (HGP). “Vai fazer 20 dias que estou internado no HGP. Estou tomando só dipirona de quatro em quatro horas, com a mão quebrada enfaixada em uma tala. Eu pergunto o médico se tem previsão [para cirurgia] ele diz que não”.
Ele conta ainda que também corre risco de ser infectado pela Covid-19 e que a limpeza no local não é feita com frequência.
“Estou numa situação deplorável com outros pacientes. A gente está exposto ao coronavírus porque não tem máscara, não tem álcool em gel. Se a gente quiser a gente traz de casa”, reclamou Júlio Martins.
O Governo do Estado informou que a recomendação da suspensão dos procedimentos, que não são considerados urgentes, foi feita pelo Ministério da Saúde. Disse ainda que “não há falta de medicamentos e insumos” no HGP. Leia abaixo as notas na íntegra.
Paciente diz que tem medo de ficar no HGP
Reprodução/TV Anhanguera
Mas o problema é antigo. O funcionário público Emanuel Rocha não sabe quando vai fazer a cirurgia que precisa para deixar de ter as dores que sente há quatro anos. Foi cuidando do jardim de casa ele percebeu que tinha um problema na bacia e, segundo os médicos, além da operação ele precisa de uma prótese.
Em uma clínica particular todo o procedimento necessário custa cerca de R$ 35 mil, dinheiro que Emanuel não tem e, por isso, aguarda a cirurgia desde 2016.
“Agora neste momento eu estou com dor. Esta dor e ininterrupta, 24 horas. O que ocorre é que eu acostumei a conviver com ela e o medicamento não tem mais a eficácia de 100%”, disse.
Demanda de cirurgias eletivas pendentes fica cada vez maior por causa da pandemia
Como o problema dele pode se agravar com o tempo, Emanuel tem medo ser impossibilitado de trabalhar. “A minha maior preocupação é que com a minha locomoção vai haver um desgaste no osso da minha perna, no quadril. E esse desgaste vai ocasionar um encurtamento da minha perna, uma deficiência”, informou.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), em 2019 foram realizadas 5.844 cirurgias do tipo. Até o mês de março deste ano, antes da suspensão, 1.775 foram feitas, porém mais de 5 mil pessoas já estavam na fila quando a interrupção foi anunciada. As principais demandas são das áreas de ortopedia, urologia e cirurgias gerais.
O projeto ‘Opera Tocantins’ prevê a ampliação no volume de procedimentos nas unidades hospitalares em períodos de menos movimento, como feriados e finais de semana, mas mesmo assim a fila não reduz.
Emanuel lembra que quando entrou na fila alguns pacientes já esperavam cerca de dois anos. “Hoje ainda estou andando. E as pessoas que estão acamadas aguardando? E as pessoas que estão em cadeiras de rodas? Será que o governo não se sensibiliza? Hoje a desculpa é a pandemia. Tem que haver uma separação. Tem que cuidar dos dois”, desabafou o servidor.
Sobre os problemas apontados, o advogado Henrique Araújo diz estas pessoas não estão tendo um direito básico garantido. “A Constituição prevê que a saúde é um direito fundamental inerente a todos os cidadãos, e é um dever do Estado. Quando eu digo Estado estou me referindo a todas as esferas: municipal, estadual e a nível de União”, disse.
Emanoel Rocha diz que já se acostumou a conviver com a dor na espera pela cirurgia
Reprodução/TV Anhanguera
O que diz o Governo do Estado
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que o paciente mencionado por este veículo, residente de Palmas, só foi inserido no Sistema de Regulação Estadual pelo município, em abril de 2019, para avaliação pré-cirúrgica e aguarda o procedimento.
A SES destaca que as cirurgias eletivas estão suspensas devido à pandemia de Covid-19, desde março deste ano, conforme orientação do Ministério da Saúde (MS).
Apesar da pandemia, a SES esclarece que os hospitais estaduais, em 2020, já realizaram 1.757 cirurgias eletivas e 8.096 de urgência e emergência. Já em 2019 este número foi de 5.844 cirurgias eletivas realizadas.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece por meio do Hospital Geral de Palmas (HGP) que desde o início da pandemia não há falta de medicamentos e insumos, incluindo máscaras e álcool em gel, os estoques de insumos podem ser conferidos no site da SES: http://integra.saude.to.gov.br/
A SES ressalta ainda que a limpeza vem sendo feita regularmente pela equipe de higienização da unidade.
Com relação ao paciente citado, este segue internado recebendo todos os cuidados da equipe multiprofissional e aguarda cirurgia eletiva de acordo com a demanda e programação das equipes médicas.
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