Projetos explicam pandemia a indígenas em idiomas nativos


No Tocantins, lives são feitas em português, inôrube e tapirapé. Em outros estados, cartilhas e podcasts também foram traduzidos para línguas locais. Tecnologia aproxima povos indígenas no combate à covid
Projetos em pelo menos três estados têm tentado conscientizar as populações indígenas do Brasil sobre os perigos da pandemia do novo coronavírus. No Tocantins um grupo de comunicadores faz lives pela internet em três idiomas: português, inôrube e tapirapé. As duas últimas línguas são nativas do povo xerente, que se concentra na região de Tocantínia.
“Uma troca de experiência, mesmo distante, mas a gente tá acompanhando como cada um está se comportando, está se manifestando para evitar, para diminuir”, explica o indígena Edvaldo Xerente.
A iniciativa se repete em outros estados. No Amazonas, estão sendo transmitidos podcasts. Os moradores já sabem que vão receber novas informações sobre as medidas de prevenção quando ouvem o anúncio: “Começa agora, o informativo da rede de comunicadores indígenas do Rio Negro – Waiuri”. A transmissão é para as 750 aldeias de São Gabriel da Cachoeira, que tem mais de 90% da população formada por indígenas.
“Uma pandemia que surge em Wuhan na China, de repente ela vem subindo o rio e chega aqui dentro da floresta amazônica, na região mais preservada da Amazônia. A gente tinha essa responsabilidade, de contextualizar essa doença, interpretar e traduzir essa pandemia para o contexto cultural local. Porque o entendimento de doença também para os povos indígenas aqui, é um outro entendimento. Você tem uma outra interpretação do que significa uma doença, uma epidemia”, diz a analista do Instituto Socioambiental ISA, Juliana Radler.
Tecnologia aproxima povos indígenas no combate à Covid-19
Reprodução/TV Globo
O podcast é feito pelos próprios indígenas. ” A gente tenta usar um português mais simples assim né. E claro na língua deles mesmo né, para que eles possam entender do quê que se trata, da gravidade dessa doença”, diz a comunicadora indígena Cláudia Ferraz.
Parceira do projeto, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro traduziu o conteúdo para quatro idiomas nativos da região em cartilhas. O material impresso é levado para onde não há internet.
Uma ação semelhante é realizada a quase três mil quilômetros de distância em Cristianápolis (GO). Labé Inãn Karajá usa as redes sociais para falar com a comunidade na ilha do Bananal, que fica no Tocantins.
Em algumas transmissões, há entrevistas com médicos e enfermeiros. “Indígena usar essa interculturalidade, conhecimento do mundo ocidental, e explicar que Covid é real, que está fazendo esse efeito, que tá mudando a rotina de muitos brasileiros – não é só aqui”, explica.
Para o antropólogo Márcio Santos, ter a informação disponível nos idiomas dos indígenas pode salvar vidas. “Ao fazer isso, estão atendendo a recomendações da própria OMS e da organização pan-americana de saúde, porque essas instituições em alguns documentos voltados para as populações indígenas, e outras comunidades relacionadas, elas falam que é fundamental que a comunicação sobre a Covid seja culturalmente adequada”.
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