Locadora investigada por fraude na Prefeitura de Palmas não tem nem metade da frota necessária para atender contratos, diz PF


PF afirma que a Marca Representações possui 392 veículos registrados, mas que para atender a demanda seriam necessários pelo menos 823. Contrato foi fechado durante a gestão de Carlos Amastha. PF investiga superfaturamento em locação de veículos no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
A locadora de veículos Marca Representações Comerciais Ltda, vencedora dos contratos com a prefeitura de Palmas investigados pela Polícia Federal, não tinha nem metade da frota necessária para atender a demanda dos próprios clientes. A informação consta na decisão que autorizou a Operação Carta Marcada, deflagrada nesta terça-feira (21).
Segundo a apuração da PF, a empresa tinha contratos no Maranhão, Pará e Tocantins. Para atender a todos eles com as quantidades que constavam nos documentos a empresa precisaria de no mínimo 823 veículos. A PF descobriu, no entrado, que apenas 392 automóveis estão registrados no CNPJ da Marca Representações. O levantamento foi feito nos Departamentos Estaduais de Trânsito de todos os estados envolvidos.
Polícia Federal fez buscas em vários endereços
Reprodução/TV Anhanguera
A empresa pertence a Marco Zancaner Gil. Ele é um dos alvos dos mandados de prisão autorizados pelo juiz federal João Paulo Abe, de Palmas. O empresário não foi localizados nos endereços dele, mas a PF recebeu dos advogados a informação de que ele vai se apresentar nesta quarta-feira (22).
Além de Gil, a investigação também mira outros donos de empresas do ramo. Eles teriam participado da licitação apenas para direcionar o processo e teriam faltado a última fase da seleção para que as empresas fossem desclassificadas e sobrasse apenas a Marca Representações na disputa. Em alguns modelos de carros, os valores cobrados pela empresa era até 40% superiores ao valor de mercado.
Chistian Zini, Adir Cardoso, Claudio de Araújo Schuller e Cleide Brandão Alvarenga
Montagem G1
Toda a fraude teria ocorrido com ajuda de ex-secretário da gestão de Carlos Amastha (PSB), em Palmas. Foram presos pela PF: Adir Cardoso Gentil, Chistian Zini Amorim, Claudio de Araújo Schuller e Cleide Brandão Alvarenga.
Adir Gentil foi preso em Florianópolis (SC) porque mora em Santa Catarina e tem atuação política no estado.
Amastha não foi alvo de mandado de prisão, mas teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça. Endereços dele também foram alvo de busca e apreensão, mas ele não estava nos locais quando os agentes realizaram os procedimentos.
A ata de preços investigada é da Prefeitura de Porto Nacional e a prefeitura de Palmas aderiu ao processo depois que ele já tinha sido realizado. A Controladoria Geral da União, que também participou da investigação, acredita que houve a participação de agentes públicos em Porto Nacional, fazendo um contrato superdimensionado desde o começo para possibilitar a adesão da capital. O prefeito da época em Porto Nacional era Otoniel Andrade. A casa dele também foi alvo de busca e apreensão.
As prisões têm prazos que variam de três a cinco dias e podem ser prorrogadas. Os contratos investigados pela PF terminaram em 2018.
Ex-prefeito de Palmas, Calos Amastha
Divulgação
O que dizem os citados
Após a operação ser deflagrada, o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha publicou nas redes sociais um vídeo em que critica a ação. Ele afirma que os investigadores escreveram uma acusação de forma a “iludir o juiz” para que ele autorizasse as buscas e prisões. Amastha afirmou que “O direito de investigar é sagrado e é uma obrigação”, mas questionou a forma como foi tratado pela Polícia Federal no inquérito.
O G1 tentou contato com a Marca Representações, mas a informação repassadas pelos atendentes é de que não havia ninguém no local nesta terça-feira (21) que pudesse comentar o caso.
A defesa de Adir Gentil disse que está tomando conhecimento das acusações e só vai se manifestar depois que tiver acesso a decisão. Informou ainda que vai pedir a revogação da prisão dele.
A defesa Cleide Brandão, disse que prestará maiores esclarecimentos ao longo desta terça feira e declarou que contribuirá com a justiça a fim de comprovar que inexiste relação e qualquer envolvimento dela nos crimes investigados. O escritório de Christian Zini e o ex-prefeito de Porto Nacional Otoniel Andrade não atenderam aos telefonemas.
O G1 não conseguiu localizar as defesas de Claudio de Araújo Schuller e Marco Zancaner Gil.
Agentes da PF cumprem mandados de prisão, busca e apreensão durante a operação Carta Marcada
Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
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