Em Paris, a alta costura adota máscara para todos

As máscaras descartáveis são compradas em lotes: de cor azul claro, três dobras, elástico branco. Máscaras feitas à mão, em casa, ou de designer, que são vendidas a preços que variam de US$ 10 a US$ 100.

Mas há também máscaras produzidas por um coletivo de costureiras da mais alta elite do mundo: da Chanel, Dior, Saint Laurent, dentre outras, que passaram o lockdown confeccionando mais de três mil delas, uma espécie de edição limitada.

Essas máscaras não estão à venda e as pessoas que as usam não são influenciadoras ou celebridades e nem aquelas que, antes da pandemia, se sentavam nas primeiras fileiras dos desfiles da Paris Fashion Week e agora usam uma máscara com o adesivo de camélias brancas da Chanel. As máscaras feitas pelo coletivo são para enfermeiros, padeiros e bombeiros. E essa distinção é importante para quem as confecciona.

O coletivo, chamado Tissuni (um composto das palavras francesas significando “tecido unido”) foi fundado em março por Marie Beatrice Boyer, costureira da Chanel.

No início da pandemia, alguns dias antes de estilistas americanos como Christian Siriano começarem a confeccionar máscaras em casa. Boyer, de 36 anos, soube por uma amiga parteira que um hospital de Grenoble estava usando máscaras de tecido para preservar suas máscaras cirúrgicas.

Ela recrutou colegas costureiras da Chanel e elas começaram a criar protótipos. Em 18 de março, um dia depois do início do lockdown em Paris, Boyer registrou o nome Tissuni.

Desde então, o grupo cresceu para mais de 100 membros. Muitas das costureiras vêm da alta costura: além da Chanel, Dior e Saint Laurent, outras são do ateliê de Jean Paul Gautier, Schiaparelli e da Ópera de Paris.

Elas confeccionavam máscaras com os restos de tecido que possuem e, quando não há mais, usam cortinas velhas, fronhas de travesseiros e roupas. E doavam para funcionários de hospitais, para a polícia e para caixas de lojas, pessoas que prestam serviços de delivery e taxistas.

A demanda cresceu superando a capacidade de produção do coletivo. “Às vezes recebemos mais de 200 pedidos por dia”, disse Boyer.

O grupo é taxativo em não cobrar pelas máscaras. E como o lockdown persistiu, Boyer percebeu como a produção de máscaras se transformou de uma boa ação, social, numa “iniciativa comercial”.

“O que nos desagradava era ver marcas de luxo vendendo máscaras de tecido por mais de US$ 100 e fazerem propaganda delas”, disse Boyer.

Seu desejo de uma moda mais acessível foi canalizado para a próxima oferta da Tissuni, lançada em meados de maio: um modelo de um vestido que pode ser copiado gratuitamente: trata-se de um vestido de verão com gola alta, manga curta e cintura baixa, de linho do norte da França.

O traje é branco, mas a Tissuni o chamou de “pequeno vestido verde”, de olho na sustentabilidade inerente à confecção das suas próprias roupas em casa. Um experimento dentro do movimento chamado “slow fashion”, cujo objetivo é reduzir o desperdício.

Mais recentemente Boyer retornou ao seu trabalho, focada na próxima coleção da Chanel, apresentada num desfile pela Internet na terça-feira, 7.

Nas semanas que precedem os desfiles de alta costura, as costureiras da alta costura de Paris, como Boyer, passam centenas de horas trabalhando num único vestido. Elas são famosas por suas habilidades na confecção de roupas super elaboradas, recorrendo ao que Boyer chama de “know-how ancestral passado de geração para geração de costureiras”.

Mas a confecção de máscaras deu a ela uma perspectiva totalmente nova da moda.

“Você percebe que um simples pedaço de tecido, bem cortado, pode ter um impacto direto na vida das pessoas. Nunca veremos uma coleção mais bela do que a das máscaras confeccionadas e distribuídas gratuitamente por todas as costureiras e modistas de todas as casas e todas as regiões”.

As informações são do The New York Times

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