Vendas do varejo crescem 13,9% em maio, mas ainda não recuperam perda acumulada

Depois de dois meses de queda, o varejo voltou a ter resultado positivo. O volume de vendas do varejo cresceu 13,9% em maio, maior crescimento desde o início da série histórica, em janeiro de 2000. A alta não foi suficiente para recuperar as perdas de março e abril, quando as lojas ficaram fechadas por causa das medidas de isolamento social para evitar a disseminação do coronavírus. No acumulado do ano, o varejo tem queda de 3,9%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada, divulgada nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado superou o teto das expectativas de 37 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, que iam de recuperação de 0,90% a 11,60%.

Na comparação com maio de 2019, o comércio varejista recuou 7,2%, com taxas negativas em sete das oito atividades. Esse resultado também surpreendeu positivamente. O recuo foi menor que a previsão menos negativa dos analistas ouvidos pelo Projeções/Broadcast – as projeções iam de queda de 17,30% a 8,30%, com mediana negativa de 13,40%.

O setor de tecidos, vestuário e calçados respondeu pela maior contribuição negativa, com queda de 62,5%. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo foi o único setor a crescer nessa base de comparação, com alta de 9,4%. O setor, considerado atividade essencial, manteve as lojas abertas durante o período de quarentena. O setor de farmácias, outra atividade essencial, recuou 2,6% ante maio de 2019, na segunda taxa negativa consecutiva.

Em abril, as vendas de supermercados caíram 17,0%, após crescimento de 14,8% em março, primeiro mês diretamente afetado pela pandemia no País. As vendas de farmácias recuaram 17,0%, depois de um crescimento de 1,4% no mês anterior.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 19,6% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. O resultado também veio acima do teto do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam um aumento entre 0,50% e 13,10%, com mediana positiva de 7,70%.

Na comparação com maio de 2019, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 14,9% em maio de 2020. O resultado também surpreendeu positivamente. Nesse confronto, as projeções variavam de uma redução entre 27,7% e 16,2%, com mediana de negativa de 22,4%. No ano, a queda acumulada é de 8,6% e, em 12 meses, de 1%.

Retomada gradual

De acordo com a MCM Consultores, a tendência é que a recuperação do setor ganhe corpo, em especial com o afrouxamento das medidas de restrição de circulação em São Paulo e no Rio de Janeiro a partir de junho. A consultoria alerta, no entanto, que a retomada está sujeita a reveses no médio prazo, caso haja reversão das medidas de flexibilização.

Para a analista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria Integrada, indicadores antecedentes reforçam a avaliação de que o setor entrou em tendência de recuperação gradual, apesar dos níveis deprimidos de atividade.

A economista cita o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), que recuou 30,5% em maio, resultado menos negativo que o observado em abril (-36,5%). “No final de abril, a Região Sul abriu algumas atividades não essenciais, que é o que deve dar esse fôlego ao varejo. Esses dados vão na direção de confirmar que o pior para a atividade já passou, mas que a recuperação deve ser muito gradual”, observa.

A Tendências espera queda de 5,9% no volume total de vendas do varejo restrito de 2020, dentro de uma projeção de recuo de 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Isabela, com a deterioração esperada para o mercado de trabalho e a massa de salários, uma recuperação rápida do setor é improvável.

“A recuperação do varejo está associada ao relaxamento das medidas de quarentena, o que deve contribuir para reverter o agudo declínio nas vendas de março e abril”, escrevem os economistas Leonardo Fonseca e Lucas Vilela, em relatório do Credit Suisse. “Esperamos continuação da melhora das vendas em junho, como sugerido por indicadores recentes. A materialização desse cenário é compatível com uma contração econômica menor do que a indicada no nosso cenário base em 2020.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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