PF cumpre mandados para investigar pagamentos de propina e lavagem de dinheiro em obras públicas no estado


Mandados foram determinados pela Justiça Federal do Tocantins. Investigação é um desdobramento da Operação Ápia, iniciada em 2016 pela Polícia Federal. A Polícia Federal cumpre na manhã desta terça-feira (30) seis mandados de busca e apreensão em uma nova operação contra fraudes em licitações e contratos em obras de infraestrutura no Tocantins. A ação foi chamada de Rumple e é um desdobramento da operação Apia, que apurou desvios de mais de R$ 200 milhões em obras públicas estaduais. Nesta nova fase são investigados pagamentos de propina e lavagem de dinheiro.
São cerca de 30 Policiais Federais cumprindo os mandados expedidos pela 4ª Vara Federal do Tocantins. A maioria das ações está concentrada no Distrito Federal. A PF informou que nova fase tem como objetivo validar declarações prestadas em delações premiadas durante as investigações da Operação Ápia.
Conforme a Polícia Federal, a investigação apura o pagamento de vantagens indevidas para garantir o direcionamento de contratos e o desvio de recursos destinados a obras públicas no Tocantins. O principal alvo é o núcleo apontado como responsável pelo processo de lavagem do dinheiro das propinas.
Os investigados supostamente simulavam a origem e destinação do dinheiro através de sucessivas operações financeiras e empresas que seriam de fachada. O valor dos pagamentos investigados nesta investigação ultrapassa R$ 10 milhões.
Com estes novos mandados a polícia informou que busca coibir a continuidade das ações criminosas, delimitar a conduta dos investigados, além de identificar e recuperar verbas frutos dos desvios. Os investigados poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Ainda de acordo com a polícia, o nome da operação é uma referência ao personagem de um conto, também conhecido como Rumpelstiltskin, que transformava palha em ouro.
Operação Ápia
A maior investigação realizada no Tocantins pela Polícia Federal teve seis fases com 90 investigados e cerca de 500 indiciamentos. Mais de 2 mil documentos foram apreendidos e analisados. Mais de 40 pessoas tiveram bens bloqueados num total de R$ 431 milhões, como casas, apartamentos, fazendas e carros, entre outros.
A Ápia teve como foco contratos de empréstimos do governo do Tocantins feitos entre 2012 e 2014, que somam R$ 1,2 bilhão para 12 obras de pavimentação no interior do estado. A Polícia Federal apurou que o desvio aconteceu no momento em que o Estado pagou indevidamente as empreiteiras por serviços não realizados.
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