Estamos indo de volta pra casa

Há exatos 39 anos, em junho de 1981, eu entrava na Redação do Jornal de Brasília pela primeira vez. Cheia de energia, saindo da faculdade, ousada e querendo mudar o mundo com a minha escrita. Depois de um estágio em O Globo, no Rio de Janeiro, durante as eleições de 78 e ter tido a chance, antes de formada, de editar a Revista do Conselho Nacional do Petróleo, poucos meses, mas o suficiente para comandar a edição especial do Pró-ácool no Brasil, entrar na Redação do JBr, profissionalmente foi um luxo. Até porque, minha primeira pauta foi cobrir a entrevista coletiva do presidente do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), general Oziel Almeida Costa, sobre o novo aumento dos combustíveis. Sensacional! Pedi demissão do CNP de manhã, para o próprio general, que me ofereceu um cargo para continuar na Assessoria de Imprensa do órgão e eu agradeci, mas não aceitei. Não nasci para os cargos públicos. Bem que ao longo dos meus 39 anos de carreira tentei, em alguns momentos, trabalhar para o Governo. Ou melhor dizendo, para a população brasileira. Que é o certo! Mas percebi logo de cara, quando passei no concurso de 1981 de Revisor do Diário Oficial da União, que não daria certo neste esquema.

Tomei posse de manhã, passei o dia no DIN – Departamento de Imprensa Nacional, na época comandado por militares, e às 18 horas, sob o olhar espantado do chefe e dos colegas, que disputaram a vaga no concurso a tapa, pedi demissão. Assim me despedi de cara de ser uma promissora funcionária pública, com aposentadoria garantida, para ser uma rebelde jornalista.

Fiquei muito feliz de entrar na Redação do JBr naquela manhã de junho de 1981. O Jornal era tido como uma grande escola para a carreira. E eu estava bem ali, com olhinhos atentos e brilhantes, topando tudo. Exatamente como me encontro agora, neste fim de tarde de junho de 2020, quando aceitei o convite dos editores Miguel Alves e Lindauro Gomes para voltar para casa e escrever às 5as feiras para a edição online do JBr.

Graças a tecnologia que tanto amo, não estamos mais presos às páginas impressas dos jornais. Ainda mais em tempos de pandemia que o papel tem sido acusado de reter o coronavírus por 72 horas. Como ler os impressos sem a paranoia da contaminação? De luvas, máscara e sem tocar o rosto? E quem faz parte do grupo de risco, tem mais de 60? Danou-se!

Nada disso! Estamos com toda a informação em nossas mãos sem precisar de álcool gel e luvas. Sentados em casa, há três meses, podemos escolher entre Fakes e News. O duelo que vem sendo travado na mídia por quem é profissional da informação e por aqueles que criam informações à força. Esta história de Fake News é mais velha do que a Imprensa. Fofoca na Sociedade. Balão de ensaio, informações plantadas por fontes em jornalistas menos experientes, no passado. Isto mesmo, aqui no Brasil e em todo mundo!

Agora, com as mentiras, ou inverdades, ou fakes News, ou seja lá o nome que se queira dar ou se esteja dando, plantadas a partir de um celular, que não precisa ser lá tão poderoso, em segundos essa bobagem destrói a vida de alguém. E neste momento, liquida a vida de milhares de pessoas que acreditam em milagres para escapar da COVID 19.

Gente, não é uma gripezinha! Mas não é mesmo!!!!

Estou saindo de um mês punk, em que minha mãe de 82 anos, com insuficiência pulmonar, sem sair de casa desde 13 de março, tendo como companhia somente eu e uma cuidadora, foi vítima do vírus. Mas está bem, graças ao diagnóstico rápido dos médicos que a acompanham há anos e a uma equipe de saúde dedicada, verdadeiros heróis nesta frente de batalha insólita! Guerra esta que a cada dia piora, graças ao “saia de casa” proclamado por muitos que acreditam em informações plantadas por quem se acha jornalista e detentor da informação por ter um celular com câmera e sem nenhuma técnica ou o menor preparo para produzir uma notícia.

Bem, não é uma gripezinha. É uma doença avassaladora, que tira os mais fortes do mundo de combate! O drama de ficar aguardando o resultado de um exame que pode dar falso negativo se você está assintomático é enlouquecedor! Durante 14 dias você espera a morte bater na sua porta, porque alguém na sua casa está infectado e internado, e todos tiveram contato com esta pessoa. Além de sofrer pelo estado de quem está internado e ninguém pode visitar o ser amado, você aguarda o vírus que lhe espreita atacar. Não desejo o que passei ao meu pior inimigo. Nem àqueles que andam espalhando que a COVID 19 é uma bobagem!

Agora, que tudo aqui em casa passou, estamos todos bem, mas deixamos pelo caminho, de 13 de março para cá, alguns amigos queridos no campo de batalha dessa guerra. Tenham a certeza de que estamos prontos para continuar lutando de braços dados com o Exército da Saúde, da Limpeza Urbana, das Telecomunicações, da Imprensa, dos Artistas, e de tantos outros pelotões que vem tornando nossa existência possível durante essa quarentena, sem data para terminar. Sei que escolhi lá atrás, há 39 anos, a trincheira certa na qual queria lutar: a do meu país, a do meu povo brasileiro! Sairemos dessa, sofridos; porém mais fortes! Atentos! Com os olhos arregalados e brilhando para nunca mais deixar qualquer vírus nos pegar de surpresa. #tamujunto #ficaemcasa #vaipassar

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