Pesquisa aponta que 28% dos brasileiros estão comprando mais pela internet após a pandemia de Covid-19

Pesquisa nacional encomendada pelo Facebook IQ ao Ibope Inteligência apontou um crescimento de 28% nas compras online em comparação ao período anterior à pandemia de Covid-19. Além disso, o estudo mostrou que 37% dos brasileiros estão pesquisando mais produtos online. A pesquisa, feita por amostragem, foi realizada com 1.500 usuários de internet e maiores de 16 anos, com dados de consumo referentes ao mês de março.

O estudo traz também um recorte interessante em relação à intenção de compra: 48% dos entrevistados disseram que pretendem voltar a comprar roupas em menos de três meses. Cerca de 46% pretendem voltar a comprar calçados no mesmo período. De um modo geral, a despeito do impacto sofrido pelas empresas diante da pandemia de Covid-19, os números apontam que há meios para atravessar essa crise. O grande desafio é entender como direcionar os recursos e fazer as transformações que o momento demanda.

Raquel Bersano, fundadora da Inspire Digital, especialista em marketing digital e professora de inbound marketing aponta que por mais que o termo ‘Novo Normal’ já pareça um pouco desgastado, a verdade é que nossa realidade de fato está se transformando drasticamente, com algumas mudanças de comportamento que podem vir para ficar por tempo indeterminado.
‘A pauta de Transformação Digital, que mesmo antes da pandemia já vinha ganhando fôlego, agora tem ainda mais respaldo e relevância para ajudar as empresas a enfrentarem essa crise e saírem dela mais forte. Neste sentido, é urgente pensar nas soluções de modo cada vez mais estratégico’, pontua. Abaixo, ela comenta sobre alguns erros que muitas empresas têm cometido nesse momento de crise e quais são as melhores alternativas.

Investimento em marketing não é gasto supérfluo

Segundo a especialista, o primeiro erro é considerar o investimento em marketing como algo supérfluo, sem a devida mensuração do impacto que isso pode ter de imediato. ‘A realidade é que não há crescimento sem investimento. E não me refiro apenas a investimento financeiro, mas também de tempo. Infelizmente o marketing costuma ser considerado um custo dispensável, e não um investimento – e isso é um grande equívoco. Um dos possíveis fatores para esse viés é o desconhecimento sobre o potencial das ações de marketing, bem como a falta de estratégia de negócio bem definida ou mesmo experiências passadas negativas’, ressalta.

Neste sentido, ela destaca um dado relevante: na China, no momento em que a pior fase já passou, foi observada uma retomada que ficou conhecida como ‘Curva V’, ou seja, o crescimento pós-crise tem sido tão acentuado quanto a queda anterior a ela. A professora reforça que não podemos afirmar que esse comportamento se repetirá aqui no Brasil ou em outros países, mas é um indicador importante e que merece atenção do mercado.

A especialista avalia ainda que as empresas que deixarem de investir, seja em marketing ou em outras áreas do negócio, podem perder espaço para concorrentes que estão fazendo o contrário neste momento.

Encontrar saídas para a crise demanda abertura para a mudança

‘Para entender os pontos de retomada, é preciso encarar essa nova realidade com as perspectivas mais abertas. A rotina pós quarentena será repleta de modificações, nosso modo de viver está passando por mudanças abruptas – algumas delas possivelmente serão permanentes. Isso significa olhar com mais cuidado para essa nova forma de viver, de se relacionar. Em outras palavras, entender como de fato se comunicar com o seu público e identificar suas necessidades agora’, explica Bersano.
Neste sentido, ela acrescenta que não há como pensar em esforços de marketing sem valorizar o capital humano. ‘Reter talentos ou contar com especialistas para apoiar o seu time é fundamental para se sobressair no mercado. Sem pessoas capacitadas e especializadas, como encontrar os melhores caminhos para inovar? Como usar a Transformação Digital a favor do negócio?’, questiona.

Uma das máximas mais famosas do naturalista Charles Darwin resume o que ela acredita que também reflete o momento atual: ‘Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças’.

Com base nisso, ela propõe alguns questionamentos que as empresas devem fazer para entender melhor as mudanças nos hábitos de consumo da população: ‘Será que meu produto/serviço precisa mudar? Como comunicar essa mudança? Eu diria que o mais importante no momento é que as empresas fiquem atentas a essas mudanças e desapeguem do passado’, recomenda.

Não adianta mudar sem mostrar o seu diferencial

‘Se por um lado o momento aponta a possibilidade de modernização e adaptação de modelos de negócios para o ambiente digital, por outro também significa aumento na concorrência.

Não basta simplesmente se adaptar para atender o seu público online. Se não houver investimento em comunicar isso de uma forma bem estruturada, pensando tanto na base de clientes já existentes quanto em novos clientes, pode ser um desperdício de recursos’, explica.

Ela acrescenta ainda o contexto de mercados que tiveram um impacto também imediato, como turismo e os eventos. A especialista aponta que por mais que o impacto financeiro seja muito forte, o investimento em uma comunicação assertiva e alinhada com o momento atual é indispensável para que se construa um cenário sólido no pós-pandemia. ‘Passar a mensagem errada neste momento significa perda de credibilidade, assim como silenciar-se também pode significar cair no esquecimento e abrir espaço para a concorrência’, comenta.

Raquel finaliza deixando a orientação para que os gestores encarem o momento com um viés não só de sobrevivência, mas também de reinvenção. ‘Marcas sem um posicionamento claro e que deixam de comunicar suas ações durante esse momento tendem a ser menos valorizadas do que as que investem. Os consumidores estão cada vez mais exigentes e apoiam/reconhecem marcas que estão tomando a frente da situação e ajudando a sociedade de alguma forma, seja apoiando os negócios locais, não demitindo os funcionários, etc. O que temos notado é que as pessoas estão apoiando de forma social essas empresas, ou seja, se engajando nas redes sociais, compartilhando e comentando publicações que demonstram esse tipo de posicionamento’, conclui.

As informações são do jornal  O Estado de S. Paulo.

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