Polícia Civil e MPE fazem operação contra grupo que atuava no Detran para emitir documentos falsos para veículos roubados


Mandados de prisão, busca e apreensão foram cumpridos em Araguaína e Tocantinópolis. Suspeita é de que 300 veículos tenham sido fraudados nos últimos anos. Agentes cumprindo mandados contra suspeitos de fraudes
Dennis Tavares/SSP/Divulgação
Uma operação da Polícia Civil e Ministério Público foi realizada na manhã desta quarta-feira (17) para desarticular uma quadrilha suspeita de emplacar e transferir veículos roubados e furtados. O suposto esquema teria participação de servidores do Departamento de Trânsito do Tocantins (Detran). Três pessoas foram presas e três mandados de busca e apreensão cumpridos em Araguaína e Tocantinópolis, ambas no norte do estado. Cinco carros e duas motos foram apreendidos.
A investigação está sendo realizada pela Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (Derfvra) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Essa ação realizada hoje corresponde a 2ª fase da Operação Dolos, que na primeira fase prendeu cinco pessoas suspeitas de participarem do mesmo esquema criminoso de legalizar veículos roubados por meio da emissão de documentos falsos no Detran.
Segundo a Polícia Civil, os mandados de prisão preventiva cumpridos nesta manhã são contra os líderes e mentores intelectuais do grupo criminoso. Um dos suspeitos foi preso em Araguaína e os outros dois em Tocantinópolis.
A suspeita da Polícia Civil é de que o grupo tenha emplacado cerca de 300 veículos de origem ilícita no Tocantins. A operação contou com participação de homens da Polícia Militar, Polícia Civil, Gote, Gaeco, delegacia de Tocantinópolis e 1ª DP de Palmas.
Veículos foram apreendidos pela polícia durante operação
Dennis Tavares/SSP/Divulgação
A investigação
A investigação sobre o esquema está sendo feita de forma conjunta pela equipe da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público Estadual.
Três inquéritos investigam o grupo criminoso. As apurações envolveram interceptações telefônicas e a quebra do sigilo do IP de computadores, autorizadas pela Justiça. Segundo a polícia, a administração do Detran contribuiu com as investigações.
O grupo teria sedes instaladas em Tocantinópolis e Araguaína e há anos vem praticando clonagens e emplacamentos fraudulentos de veículos. Os alvos dos criminosos seriam caminhões de altos valores.
A investigação apontou que a participação dos servidores da Ciretrans fazia com que os documentos falsos fossem emitidos de forma ágil e sem burocracia.
Os alvos nesta quarta-feira (17) seriam servidores do Departamento de Trânsito, além de despachantes e empresários que atuam na área de emplacamento de veículos nas cidades de Araguaína e Tocantinópolis.
Além das prisões e buscas, a Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário dos investigados.
O que diz o Detran
O Departamento de Trânsito do Tocantins (Detran-TO) afirmou que a direção do órgão contribuiu com as investigações, continua à disposição e que não compactua com atividades ilícitas desenvolvidas seja por servidores ou empresários e despachantes que trabalham junto ao Detran-TO.
“Caso seja comprovada a participação de algum servidor no esquema investigado, o Detran-TO informa que tomará as medidas administrativas cabíveis”, diz nota.
Veículos apreendidos durante a operação
Dennis Tavares/SSP/Divulgação
Como funcionava o esquema
Primeiro os integrantes da quadrilha abriam processo de primeiro emplacamento junto ao Detran Tocantins. Para isso eles usavam números de chassi clonados, notas fiscais falsas e dados pessoais de laranjas que eram cadastrados como donos dos veículos.
A organização teria como prática clonar veículos novos que algumas vezes ainda estavam na concessionária e possuíam as mesmas características dos veículos roubados ou furtados.
Depois, os servidores do Detran auditavam os processos e emitiam o Certificado de Registro de Veículo (CRV). A polícia acredita que os veículos não chegavam a passar pelo Tocantins, pois não é necessária vistoria para o emplacamento de automóveis zero quilômetro.
Assim, as placas e os lacres eram enviados para os estados onde os veículos estavam. Depois de serem esquentados os veículos ilegais estariam aptos para serem revendidos.
Ainda de acordo com a polícia, ficou apurado que por causa das fraudes o proprietário do veículo original ficava impossibilitado de emplacá-lo, pois os suspeitos já tinham realizado o emplacamento de um veículo roubado com o chassi do original.
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