Bolsonaro questiona presença de atletas transgêneros no esporte

O presidente Jair Bolsonaro usou seu Twitter nesta segunda-feira 13 para interagir com seus seguidores sobre a discussão envolvendo a presença de de atletas transgêneros no esporte. “Qual a sua opinião?”, questionou Bolsonaro ao compartilhar uma notícia sobre cinco estados americanos que pretendem impedir que homens biológicos que se identificam como mulheres possam competir em torneios femininos nos EUA.

No último dia 7, o jornal The Wall Street Journal informou que legisladores republicanos dos estados de New Hampshire, Washington, Geórgia, Tennessee e Missouri estudam formas de proibir que atletas transgêneros possam competir entre as mulheres. O debate sobre o assunto vem crescendo mundialmente, inclusive no Brasil, onde a jogadora de vôlei Tifanny Abreu se destacou como a primeira transgênero da história da Superliga.

Bolsonaro levantou a reflexão, mas não deu sua opinião sobre o assunto. Horas antes da postagem do presidente, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel, apoiadora de Bolsonaro e voz frequente nas críticas à presença de transgêneros no esporte, compartilhou a notícia do Wall Street Journal com um emoji que demonstra alegria.

No ano passado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, também criticou abertamente a presença de trans no esporte. “É inaceitável e ridículo que um homem pratique esportes em nível profissional com mulheres alegando ser uma delas”, tuitou o deputado.

O caso de Tifanny Abreu abriu caminho para o debate no Brasil. Em 2017, a atleta recebeu autorização da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para disputar a Superliga feminina após quase dez meses de espera. A decisão usou como jurisprudência o Comitê Olímpico Internacional (COI), que permite a participação de homens em competições femininas desde que tenham a testosterona, o hormônio masculino, controlados abaixo de 10 nanomoles por litros de sangue, sem a necessidade de mudança de sexo.

Antes de tomar a decisão de mudar de gênero, Tifanny, hoje com 35 anos, disputou a Superliga Masculina B pelo Juiz de Fora e Foz do Iguaçu. Também teve passagens pela Europa, onde atuou em ligas masculinas em países como Portugal, Espanha, França, Holanda e Bélgica.

Segundo Ana Paula, apesar da autorização dada pela FIVB, diversas atletas se sentiram prejudicadas com a decisão.“Muitas jogadoras não vão se pronunciar, com medo da injusta patrulha, mas a maioria não acha justo uma trans jogar com as mulheres. E não é. Corpo foi construído com testosterona durante toda a vida. Não é preconceito, é fisiologia. Por que não então uma seleção feminina só com trans? Imbatível”, escreveu a ex-atleta do Brasil nas Olimpíadas de Barcelona-1992 e Atlanta-1996 no vôlei, além de Atenas-2004 e Pequim-2008 no vôlei de praia, ainda em 2017.

O comentário de Ana Paula foi feito em cima do link da entrevista feita por VEJA com Tifanny Abreu, na qual a jogadora do Vôlei Bauru relembrou todo o processo de tratamento hormonal e cirurgia de adequação sexual na sua transição para atleta trans. Desde então, as duas vem travando uma batalha pública. No ano passado, ao comentar sobre uma ofensa feita pelo treinador Bernardinho, a quem absolveu, Tifanny fez duras críticas a Ana Paula.

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“A senhora Ana Paula nem no Brasil reside. Se considera uma mulher americana. Então, minha senhora, vá cuidar das trans que jogam nos Estados Unidos. Aquela carta que você manda para todos, para o Comitê Olímpico, não é crível. Só quem estudou o corpo de uma mulher trans é o Comitê Olímpico, não você. Você dilata transfobia, homofobia usando palavras bonitas. É uma oportunista.”,

Batalha jurídica

A liberação de atletas trans está longe de ser uma unanimidade no esporte. As primeiras proibições vieram da Austrália, onde a liga de futebol (AFL, na sigla em inglês) não permitiu que Hannah Mouncey, uma atleta transgênero de 27 anos, fosse inscrita no Draft, processo de seleção de jogadoras para a temporada de 2018. Para justificar a proibição, a liga alegou ter levado em consideração dados sobre força, resistência e vigor físico da atleta, além da natureza da competição.

Mouncey também é atleta de handebol e defendeu a seleção australiana masculina com seu nome de batismo, Callum. Com 1,90 metro e 100 quilos, ela iniciou a transição no fim de 2015. Em uma liga feminina de Camberra, marcou dezessete gols em oito partidas. Conforme lembra o Wall Stret Journal em sua recente matéria, há atletas trans que dominam suas modalidades em diversos países.

Atualmente, tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) um projeto de lei que prevê a proibição de atletas transgênero em competições esportivas realizadas no estado. O projeto de lei 346/19 é de autoria do deputado estadual Altair de Morais, do Republicanos.

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Autor: Da Redação

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