Reação de Doria desrespeita famílias dos mortos

A reação do governador de São Paulo, João Doria, à tragédia que resultou na morte de nove jovens na segunda maior favela da capital paulista é reveladora. Doria solidarizou-se com as famílias dos mortos. Mas a solidariedade do governador à Polícia Militar soou mais forte. Antes que todos os corpos descessem às covas e sem que houvesse tempo para a realização de investigações, Doria apressou-se em isentar a polícia de culpa.

Ecoando a versão oficial da PM, Doria disse: “O que houve foi uma medida comandada por dois bandidos em uma motocicleta, sendo que um atirou contra policiais. Não houve nenhum tiro de policiais em qualquer momento.” Segundo ele, o comportamento dos policiais militares “continuará dentro do protocolo”, sem prejuízo da identificação de eventuais erros. O governador afirmou também que o baile “não deveria sequer ter ocorrido”, porque “é ilegal, fere a legislação municipal.”

Há dois tipos de consumidores de diversão no Brasil: os bem-nascidos e os pobres. Para a juventude endinheirada, empreendedores formais criam eventos como o Rock in Rio e o Lollapalooza, com segurança assegurada pelo Estado. Para a rapaziada da periferia, o que há são os bailes funk, apelidados em São Paulo de “pancadões”. Muitos são controlados pela bandidagem. A polícia entra em cena para reprimir, não para proteger.

O “pancadão” de Paraisópolis existe há sete anos. Reúne coisa de 5 mil pessoas. A grossa maioria é gente honesta à procura de lazer. O baile já feria a legislação municipal quando Doria foi prefeito de São Paulo. Mas não ocorreu ao hoje governador oferecer à rapaziada sem berço alternativas legalizadas de lazer.

Depoimentos e filmagens sugerem que a PM não está isenta de culpa no massacre de Paraisópolis. Ainda que tudo tivesse transcorrido como relatado na versão oficial, procedimentos que resultam em nove mortes não podem ser chamados de protocolo. Se fosse num evento musical de grife, haveria mais respeito com os familiares das vítimas e com a inteligência alheia.

No final das contas, Doria desmerece até a Polícia Militar de São Paulo. Há no estado 110 mil policiais, dos quais 85 mil são militares. Assim como os mortos e seus familiares, o grosso dessa corporação tem origem na periferia. Não é razoável que a maioria carregue a má fama que resulta do trabalho de policiais que seguem um necroprotocolo.

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Autor: Josias de Souza

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