Oposição tornou-se um latifúndio improdutivo

O mais surpreendente na atual conjuntura política não é a atrapalhação do governo de Jair Bolsonaro. O que mais chama a atenção é a debilidade da oposição. Seria razoável esperar que, diante de um governo tão errático, seus adversários estivessem em situação mais confortável. Não é o que se verifica. Poucas vezes a oposição esteve tão estilhaçada como agora, apesar da inabilidade congênita do atual presidente da República.

O brasileiro que ainda encontra tempo para desperdiçar com o acompanhamento da política fica atônito. Olha para o governo e enxerga uma desorganização que conduz ao caos. Vira-se para a oposição e encontra uma desorientação que leva ao pântano. O caos angustia. Mas o pântano não oferece a esperança de uma alternativa. A imagem que traduz mais fielmente o momento que o Brasil atravessa é a de um beco sem saída.

Noutros tempos, a oposição era improdutiva, mas ocupava a cena provocando confusão. Hoje, Bolsonaro fabrica suas próprias crises. Nesse ambiente, o único empreendimento político que se fortalece em Brasília é o centrão, um grupo partidário amorfo, que gira em torno de privilégios, verbas e empregos públicos. O centrão não faz política, faz negócios. Virou um centrãozão ao transformar a oposição um puxadinho dos seus interesses.

A oposição celebra os tropeços legislativos do governo como um grande feito, sem se dar conta de que perderá o anabolizante do centrão assim que o grupo acertar com o Planalto o preço do seu apoio. Tudo se passa dentro da lei. O centrão segue as diretrizes da lei do mais forte. E Bolsonaro começa a entender que terá de fazer concessões à lei da selva. E a oposição se consolida como uma espécie de latifúndio improdutivo que ninguém consegue ocupar.

Leia o post na íntegrano blog do Josias de Souza
Autor: Josias de Souza

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *