Vélez virou um ex-ministro no exercício do cargo

Guru da família Bolsonaro, o polemista Olavo de Carvalho sequestrou o Ministério da Educação. Exige um resgate atrás do outro. O presidente da República cumpre à risca cada exigência. Mas o sequestrador se recusa a libertar o MEC. A situação produziu uma aberração administrativa. Uma das pastas mais estratégicas do governo, dona do terceiro orçamento da Esplanada (R$ 122 bilhões) é comandada pelo guru Olavo desde o seu bunker, em Richmond, na Virginia, nos Estados Unidos. Em Brasília, mantido no gabinete ministerial como peça decorativa, o colombiano naturalizado Ricardo Vélez Rodríguez tornou-se um ex-ministro da Educação ainda no exercício do cargo.

Vélez chegou à poltrona de ministro graças à indicação de Olavo de Carvalho. Às vésperas do Carnaval, descobriu que não passava de uma alegoria no enredo do guru da Virginia. A ficha lhe caiu no instante em que removeu um grupo de “olavetes” de seua cargos, enviando-os para postos de relevância inferior. Abespinhado, o guru transformou o MEC num puxadinho de suas redes antissociais. Atribuiu a ideia de promover uma dança de cadeiras ao coronel-aviador Ricardo Roquetti. Exigiu que o militar, egresso do ITA, fosse expurgado de uma “diretoria de programas”. Bolsonaro convocou Vélez ao Alvorada e ordenou que a cabeça de Roquetti fosse à bandeja.

Ao notar que os poderes divinos que exerce sobre o presidente são ilimitados, Olavo soltou seus trovões sobre a cabeça do secretário-executivo Luiz Antônio Tozi, número dois na hierarquia do MEC. Novamente, Bolsonaro determinou a Vélez que fizesse o pagamento do resgate. Foi à vaga de Tozi, na terça-feira (12), Rubens Barreto da Silva. A novidade não foi bem recebida no bunker de Virginia, que disparou seus raios que os partam. Barreto da Silva foi carbonizado em 48 horas. Na quarta-feira (14), Vélez trocou-o pela evangélica Iolene Maria de Lima.

Vélez ainda não percebeu. Mas a carnificina do MEC aproximou seu próprio pescoço da Guilhotina. Ministros fardados aconselham Bolsonaro livrar-se do pseudo-ministro, que virou uma exoneração esperando para acontecer. Sem alarde, analisam-se nomes alternativos. Os auxiliares militares recomendam também ao presidente que tome distância de Olavo de Carvalho. Não obtiveram nenhum tipo de sinalização. Algo que estimula nos subterrâneos de Brasília a impressão de que o guru da Virginia não sequestrou apenas pedaços da Esplanada. Raptou a própria Presidência da República.

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Autor: Josias de Souza

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