Guerra interna do MPF é prêmio para corruptos

Já se sabia que a procuradora-geral da República Raquel Dodge e os membros da força-tarefa de Curitiba não discutem. Descobre-se agora que, na verdade, eles já nem se falam. O Ministério Público Federal está em pé de guerra. Dodge decidiu disparar contra os procuradores. Não se assuste. Você não ouviu mal. É isso mesmo. A chefe da Procuradoria abriu fogo contra a Lava Jato, o núcleo mais prestigiado da instituição sob seu comando.

A Lava Jato tem cinco anos. Fará aniversário no domingo. Nesse período, a operação colecionou inimigos poderosos. Muitos tentaram arruinar o núcleo de Curitiba. Mas foi preciso uma amiga, Raquel Dodge, para completar o serviço. A procuradora-geral e a força-tarefa guerreiam ao redor de uma quantia bilionária: R$ 2,5 bilhões. Dinheiro proveniente de uma penalidade aplicada contra a Petrobras nos Estados Unidos por prejuízos causados a investidores daquele país.

Por acordo, um pedaço da verba ficará no Brasil. E a Lava Jato celebrou um acerto com a Petrobras para usar na criação de uma fundação. Disseminou-se a impressão de que os procuradores foram além de suas sandálias. Levaram tanta pancada que recuaram. Tentam agora criar um fundo federal anticorrupção, a ser aprovado pelo Congresso. Dodge poderia ter tomado conhecimento do recuo. Mas como não fala com os procuradores, protocolou no Supremo um pedido de anulação do acordo com a Petrobras. Se isso acontecer, diz a Lava Jato, a verba vai para os Estados Unidos.

Há mais e pior: a guerra entre Brasília e Curitiba ocorre contra um pano de fundo marcado pela sucessão interna na Procuradoria-Geral da República. O mandato de Raquel Dodge termina em setembro. O grupo da procuradora suspeita que o ministro Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, deseja convencer Jair Bolsonaro a guindar ao comando da Procuradoria o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que nega interesse. Quando procuradores brigam entre si, os corruptos do Brasil não perdem por esperar. Ganham.

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Autor: Josias de Souza

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