Buscas em secretaria foram determinadas após denúncia de que arquivos do escândalo do lixo seriam destruídos


Investigação apura irregularidades na contratação de empresa para coleta de lixo em hospitais. Outro inquérito da Polícia Civil indiciou pai e irmão de deputado por envolvimento no escândalo. Perito analisando documentos na Secretaria de Saúde
Polícia Civil/Divulgação
O mandado de busca e apreensão que está sendo cumprido nesta quarta-feira (27) pela Polícia Civil na sede da Secretaria de Estado da Saúde foi determinado após uma denúncia de que documentos relacionados ao escândalo do lixo hospitalar poderiam ser destruídos a qualquer momento. A decisão que autorizou a operação foi emitida nesta terça-feira (26) pelo Tribunal de Justiça.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que está colaborando com as autoridades policiais para que as investigações corram com celeridade e os fatos sejam elucidados.
As buscas estão sendo realizadas pela Delegacia de Repressão a Crimes de Maior Potencial contra a Administração Pública (Dracma) e são relacionadas à contratação da empresa Sancil Sanantônio. A investigação busca apurar irregularidades no processo de contratação da firma, que pertence ao ex-juiz eleitoral João Olinto, pai do deputado estadual Luiz Olinto (PSDB).
Consta na decisão que a polícia tem requisitado documentos ao governo do estado, mas a Secretaria de Saúde não tem “apresentado comportamento colaborativo” e deixou de enviar diversas informações solicitadas.
Além disso, a polícia afirma que existem “inúmeras contradições e fortes indícios de manipulação de informações na documentação apresentada pela SESAU”, diz trecho da decisão.
Em janeiro deste ano, a Polícia Civil concluiu outro inquérito sobre o esquema do lixo e indiciou seis pessoas e quatro empresas supostamente envolvidas. Entre os indiciados estão João Olinto e o filho dele Luiz Olinto. Na época, a defesa disse que iria se manifestar nos autos do processo em momento oportuno.
Polícia cumpre mandados na Secretaria de Estado da Saúde
Shelen Assakawa/G1
Destruição de documentos
O pedido para busca de informações na sede da secretaria foi feito depois que a Dracma recebeu uma denúncia de que “o setor de informática da Secretaria de Saúde do Tocantins iria ‘dar fim’ no sistema eletrônico onde estão armazenados todos os procedimentos administrativos do órgão, inclusive, aqueles relacionados aos fatos em apuração”.
Diante da denúncia, a juíza Célia Regina, em substituição ao desembargador Amado Cilton, determinou as buscas devido a “[…] iminência de uma suposta queima de arquivo no sistema eletrônico de informações da Secretaria de Saúde do Tocantins.”.
Lixo foi encontrado dentro de galpão em Araguaína
Felipe Maranhão/TV Anhanguera
Outro lado
A Secretaria Estadual de Saúde disse que está colaborando com as autoridades policiais para que as investigações corram com celeridade e os fatos sejam elucidados. Já a família Olinto disse que vai se manifestar sobre o caso somente em juízo e para as autoridades competentes.
Entenda
O escândalo começou em novembro de 2018 depois que toneladas de lixo foram encontradas em um galpão de Araguaína, armazenadas de forma irregular.
Segundo as investigações da Polícia Civil, a Sancil Sanantônio foi contratada em agosto do ano passado para recolher o lixo de 13 hospitais. A contratação foi feita sem licitação e um relatório do próprio Estado apontou irregularidades no serviço.
Além do lixo hospitalar encontrado no distrito agroindustrial de Araguaína, a polícia também encontrou resíduos de hospitais enterrados em uma fazenda família Olinto em Wanderlândia. No local havia seringas, luvas, frascos de remédio e até agulhas.
Uma das empresas da família foi multada R$ 3,2 milhões pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). A multa está relacionada ao lixo enterrado na fazenda.
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