Entenda como começou a investigação contra tráfico internacional de drogas


Primeiras denúncias sobre o narcotráfico, com atuação no Tocantins, foram recebidas em junho de 2016. Polícia acredita que a quadrilha atua há pelo menos 20 anos. Opração Flak: pai e filho são suspeitos de preparar aeronaves que transportavam drogas
Novos detalhes sobre a Operação Flak, que prendeu uma quadrilha especializada em transportar drogas da Colômbia e da Venezuela para Brasil, Estados Unidos e Europa, mostram como a organização atuava e como as investigações da Polícia Federal começaram.
Segundo a investigação, a quadrilha transportou mais de 9 toneladas de cocaína entre 2017 e 2018, em 23 voos que carregavam 400 kg da droga, em média, cada um. A PF informou que o grupo tinha ligação com facções criminosas do Brasil e prestava serviços para traficantes daqui e do exterior.
Os agentes da Polícia Federal receberam as primeiras denúncias sobre o narcotráfico, com atuação no Tocantins, em junho de 2016. A polícia acredita que a quadrilha atua há pelo menos 20 anos.
Dois entre os investigados são Flávio Martins Ferreira, mecânico de aeronaves, e o pai dele Francisco Silva Ferreira Filho. Segundo as investigações, eles faziam manutenções e preparavam as aeronaves para João Soares Rocha, apontado como o chefe do esquema de transporte internacional de cocaína.
Após a confirmação de evidências, a polícia abriu inquérito em fevereiro de 2017 e dividiu a investigação por núcleos.
Seis compradores de cocaína com atuação internacional foram identificados. Entre eles, Luiz Carlos Rocha, que está preso no Paraná. As investigações apontam que eles tratavam da aquisição e transporte da droga com o grupo de João Soares Rocha, que tinha 14 pessoas. Eles administravam 47 aeronaves que faziam a rota do tráfico internacional.
Segundo a polícia, para viabilizar o esquema, Soares recrutou sete mecânicos, entre eles, Flávio e Francisco, pai e filho ainda mais 26 pilotos e co-pilotos.
Entre eles estavam Murilo Ribeiro de Souza Costa e Lucas de Oliveira Penha. Os dois foram presos em 2018 no município de Formoso do Araguaia ao pousaram numa pista clandestina com 283 quilos de cocaína. A droga tinha saído da Bolívia e o grupo já estava sendo monitorado.
Laudos confirmaram que a aeronave tinha um sistema irregular de abastecimento, com uma adulteração criada pelos mecânicos de João Soares para aumentar a autonomia do vôo. A PF confirmou que sias antes do avião pousar em Formoso, Evandro Rocha, irmão do líder do esquema, esteve na região.
Droga foi apreendida em Formoso do Araguaia
Reprodução/TV Anhanguera
Até agora a polícia prendeu 29 das 55 pessoas com mandado de prisão decretados pelo juiz federal Pedro Felipe de Oliveira Santos. Do total, 26 alvos seguem foragidos, entre eles os cinco que estão na lista de procurados da Interpol. Veja quem são eles. 12 pessoas estão presas no presídio de Palmas.
Toda a investigação foi comandada pelo delegado Josean Severo de Araujo, que deve dar continuidade à análise nos depoimentos na próxima semana.
O outro lado
A defesa de João Soares Rocha tem declarado que ele exerce atividade lícita e tem residência fixa. Os outros citados foram procurados, mas não se posicionaram.
PF realiza operação contra o tráfico internacional de drogas
Divulgação
Aeronaves adulteradas
As aeronaves utilizadas pela quadrilha eram de pequeno porte, mas foram adulteradas para poder reabastecer enquanto voavam e assim ter maior autonomia de voo. As alterações feitas na estrutura dos aviões podem ter causado pelo menos um acidente.
O caso foi em março de 2017, no espaço aéreo da Venezuela. O avião ficou sem combustível e caiu no mar do Caribe cerca de 20 minutos antes de chegar ao destino.
Alguns dos aviões utilizados pelo grupo podem fazer voos de longo alcance, inclusive em rotas intercontinentais, mesmo sem nenhuma alteração. Segundo a PF, em dois anos foram transportadas cerca de 9 toneladas de cocaína.
PF afirma que quadrilha utilizava submarino para tráfico de drogas
Divulgação/PF
Submarino apreendido
A Polícia Federal informou que durante as investigações um submarino foi apreendido no Suriname em fevereiro do ano passado. A suspeita é de que ele seria usado para levar drogas até a costa da África.
“Por meio de colaboração com a polícia antiterrorismo do Suriname nós também conseguimos localizar e apreender no Suriname um submarino feito justamente para transportar a droga até a costa da África”, afirmou o delegado Marcelo Correia Botelho em entrevista coletiva em Palmas. “Esse submarino tem capacidade de até oito toneladas de drogas.”
Há 20 anos atuando
A Polícia Federal acredita que a quadrilha atua há pelo menos 20 anos. Os primeiros indícios de atividade são de novembro de 1999. Naquele ano, João Soares Rocha, apontado como chefe do grupo, fechou uma parceria com Leonardo Dias de Mendonça para administrar a Fazenda Paranaíba, no Pará.
Três anos depois, a propriedade rural foi sequestrada pela Justiça. A acusação era de que Mendonça, então considerado um dos maiores traficantes do país, utilizava pistas de pouso clandestinas na região para o transporte das drogas. Uma das pistas seria na fazenda. O caso foi durante a operação Diamante, também da PF.
A esposa de João Soares Rocha conseguiu reaver a fazenda na Justiça em 2006 e o imóvel é utilizado pela família até hoje. Na época ela alegou ser a real proprietária da terra e desconhecer as atividades ilícitas.
Para a PF, a negociação entre Rocha e Mendonça em 1999 é um indício de que o grupo desarticulado nesta quinta já atuava no narcotráfico desde então.
Detalhes do esquema
As investigações da Polícia Federal apontam que o grupo agia dividido em quatro núcleos. O primeiro era comandado por João Soares Rocha e tinha a função de gerenciar as operações de transporte e de distribuição de cocaína. Eles eram responsáveis pela comunicação com produtores e varejistas do tráfico, organização do transporte aéreo, recrutamento de pilotos e mecânicos para tarefas operacionais, definição das estratégias de fuga, seleção das pistas de pouso e pontos de apoio, além de outras funções gerenciais.
O segundo núcleo era composto de pilotos e ajudantes que prestam serviços regulares ao núcleo empresarial. Eles eram responsáveis pela condução das aeronaves adulteradas com drogas e dinheiro, além da elaboração de planos de voos irregulares, mapeando rotas para escapar do controle aeronáutico.
Mecânicos que adulteravam a estrutura dos aviões para prolongar a autonomia do voo integravam o terceiro núcleo. Eles também faziam manutenção das aeronaves e adulteravam os prefixos.
Os produtores ou compradores de cocaína, que contratam os serviços do núcleo logístico para o transporte e a distribuição da droga, são apontados pela PF como quarto núcleo.
Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.

Leia matéria na íntegra no Portal G1 Tocantins

reporter1

Repórter 1 é um agregador de notícias, um robô que captura automaticamente posts em sites, blogs e grandes portais, economizando seu tempo. Aqui você encontra o caminho mais curto para informações e opiniões relevantes que estão na internet.