MPE pede nova vistoria na fazenda da família Olinto para saber se lixo hospitalar foi retirado


Seringas, luvas e até agulhas foram encontrados no local em novembro do ano passado pela Polícia Civil. Prazo para que os resíduos fossem retirados venceu na semana passada. Promotor pede nova vistoria em fazenda onde lixo hospitalar foi encontrado enterrado
O Ministério Público Estadual pediu que o Naturatins realize uma nova vistoria na fazenda da família do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB) para identificar se o lixo hospitalar que estava enterrado lá já foi retirado. Seringas, luvas e até agulhas foram encontrados no local em novembro do ano passado pela Polícia Civil, durante as investigações sobre os resíduos achados em um galpão no distrito agroindustrial de Araguaína.
O prazo que o Instituto Natureza do Tocantins deu para que os resíduos fossem removidos venceu na última sexta-feira (8). A fazenda Caeté fica entre Araguaína e Wanderlândia, na região norte do Tocantins. No documento, enviado nesta segunda-feira (11), o MPE pede urgência no caso.
A TV Anhanguera tentou entrar em contato com o Naturatins para saber se a vistoria será realizada, mas não conseguiu retorno. A família Olinto segue negando envolvimento no escândalo do lixo hospitalar.
Lixo foi encontrado em fazenda da família do deputado Olyntho Neto
Claudemir Macedo/TV Anhanguera
Denúncia
Na semana passada o MPE apresentou a primeira ação penal no escândalo do lixo hospitalar. Ao todo, foram denunciadas seis pessoas e cinco empresas suspeitas de ter alguma participação no caso. Na lista, estão o ex-juiz eleitoral João Olinto e os filhos dele; Luiz Olinto e Rodolfo Olinto.
Os três são parentes do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), que apesar de ser investigado pela Polícia Civil no caso, não foi denunciado.
Além dos três, também aparecem na lista do MPE: Ludmila Andrade de Paula, Waldireny de Sousa Martins e José Hamilton de Almeida. Também foram apresentadas denúncias contra as empresas Agromaster S.A, Sancil Sanantonio, Pronorte Empreendimentos, Luon Participações e Teruak Bioenergia.
João Olinto e Luiz Olinto estão entre os denunciados
Igor Pires / TV Anhanguera
Os crimes citados na denúncia são de associação criminosa, falsidade ideológica, fraude processual e vários crimes de natureza ambiental.
As denúncias de associação criminosa e fraude processual se aplicam apenas a João Olinto, Luiz Olinto e Ludmila Andrade de Paula. Já a parte que fala sobre falsidade ideológica se estende a todos os citados.
O MPE pediu que a Justiça ouça 12 testemunhas e solicite as imagens das câmeras de segurança de um posto de combustíveis em Araguaína.
O advogado que representa a família Olinto e Ludmila Andrade de Paula disse que só irá se posicionar em juízo e aos órgãos competentes. A defesa de Waldireny de Sousa Martins disse que a denúncia contra a cliente é por um crime de menor potencial ofensivo e que já esperava essa medida.
As empresas Agromaster S.A, Sancil Sanantonio, Pronorte Empreendimentos, Luon Participações e Teruak Bioenergia também não atenderam aos telefonemas.
O G1 não consegui contato com a defesa de José Hamilton de Almeida.
Lixo foi encontrado dentro de galpão em Araguaína
Felipe Maranhão/TV Anhanguera
O caso
O escândalo começou após a Polícia Civil encontrar toneladas de lixo hospitalar em um galpão no Distrito Industrial de Araguaína (Daiara). O lixo tinha sido recolhido pela Sancil Sanatonio em hospitais de pelo menos três cidades e o galpão onde o material estava era de responsabilidade da Agromaster.
No dia do flagrante, o ex-juiz eleitoral João Olinto tentou impedir que os fiscais realizassem as buscas. Um vídeo mostrou o momento da confusão. O galpão estava registrado como uma fábrica de farinha.
Depois, mais lixo foi encontrado em um caminhão abandonado em um posto de combustíveis em Araguaína e também em uma fazenda da família. O contrato que o governo do estado tinha com a Sancil Sanantonio foi encerrado após o começo das investigações
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