Parentes de mortos em Gurupi cobram justiça; sargentos da PM são suspeitos de assassinatos

Um dos militares morreu durante abordagem da Polícia Civil. Todos os casos foram na mesma noite e perícia ligou arma de militar a dois assassinatos e uma tentativa de homicídio. Família de vítimas mortas com tiro feito por Policiais Militares pedem justiça
O sentimento de injustiça é o que marca os parentes de Neuralice Pereira de Matos e Nataniel Gloria de Medeiros. Os dois foram mortos na noite de segunda (22) em Gurupi, na região sul do estado, por homens em uma motocicleta. A suspeita da Polícia Civil é de que os atiradores eram dois sargentos da Polícia Militar. Um deles morreu após ser baleado durante abordagem e o outro está internado em um hospital.
Em nota, o governo do Tocantins disse que a investigação corre em segredo de justiça e que a PM tem prestado todo apoio à Polícia Civil na apuração que envolve dois sargentos. (Veja a nota completa no fim da reportagem)
Neuralisse Pereira era mãe de cinco filhos e os parentes suspeitam que ela estava grávida. “Foi uma tremenda de uma crueldade o que fizeram com ela. Foram três tiros na cabeça e seis nas costas”, lamentou Thais Pereira, filha de Neuralice.
No caso de Natanael, a avó dele afirma que o jovem voltava do trabalho. “Ele trabalhava de carregar caminhão de verdura para ser transportado para Palmas e outras cidades. Inclusive, ele vinha até com uma sacolinha de verdura que o patrão tinha dado para ele jantar em casa quando foi atingido por quatro tiros nas costas”, afirmou Maria das Graças.
O laudo da pericia técnica apontou que as duas vítimas foram mortas com disparos feitos por um revólver calibre 38. A arma foi ligada a uma tentativa de homicídio que ocorreu na mesma noite. Segundo a Polícia Civil, a arma foi encontrada com os sargentos da Polícia Militar, Gustavo Teles e Edson Vieira.
Teles morreu durante uma abordagem feita por agentes da Polícia Civil na mesma noite. O delegado Hélio Gomes afirmou que os policiais civis tinham acabado de fazer atendimento no local do primeiro assassinato e seguiam para outra ocorrência.
Neuralice Pereira e Nataniel Gloria foram mortas por homens em motocicleta
Arquivo pessoal
“A equipe se posicionou na viatura e começou a acompanhar essa motocicleta, considerando que um dos agentes tinha visto o garupa da motocicleta portando uma arma na mão. Em determinado momento, o condutor da motocicleta perdeu o controle, ambos caíram e quando se levantaram, já levantaram com armas em punho. Nesse momento houve reação da equipe de policiais civis, foi efetuado um disparo e um dos ocupantes da motocicleta foi atingido. Quando esse primeiro ocupante foi atingido, o segundo se entregou e colocou a arma no chão”, explicou.
O segundo ocupante da motocicleta é o sargento Edson Vieira. Ele está internado em um hospital particular porque machucou o pé. O PM foi autuado em flagrante pelos homicídios, mas prestou depoimento e negou envolvimento nos crimes.
O vídeo de uma câmera de segurança na avenida Alagoas, no centro de Gurupi, mostra o momento em que Nataniel Gloria de Medeiros, de 28 anos, é baleado. Nas imagens é possível ver quando dois homens em uma moto se aproximam de Nataniel, que andava de bicicleta, e fazem um disparo.
Polêmica
Em velório de PM, policial diz que guerra vai continuar e delegados se sentem ameaçados
Um vídeo gravado durante o velório do sargento da Polícia Militar Gustavo Teles mostra outro policial da mesma companhia afirmando que “os combatentes vão continuar a guerra que o sargento começou”. Após a divulgação do vídeo, o delegado que fez o primeiro atendimento do caso resolveu deixar o estado. (Veja vídeo)
“A informação que a gente teve foi de que a saída dele [do delegado] de Gurupi e do Tocantins foi em razão de ameaças que foram feitas por policiais militares e principalmente por um vídeo que está circulando nas redes sociais, em que um membro da Companhia Independente de Operações Especiais disse que a morte do colega vai ter volta e que estamos tentando denegrir a honra dele”, explicou o delegado Bruno Boaventura em entrevista ao G1.
No vídeo citado por Boaventura, um membro da Companhia Independente de Operações Especiais, da qual o sargento Gustavo Teles participava, diz que os “amigos e combatentes estarão sempre continuando a guerra que ele começou, pois a voga não vai parar. Os entendedores entenderão. O nosso irmão não morreu em vão e vai ser honrado”.
O governo do estado informou que não vai se posicionar sobre o vídeo. A Polícia Militar informou que tem prestado todo o apoio necessário, no sentido de colaborar com as investigações. Disse ainda que já está em curso um Procedimento Administrativo a fim de se apurar as circunstâncias que envolveram os militares.
A Secretaria de Segurança Pública ainda não semanifestou sobre o vídeo.
Gustavo Teles e Edson Vieira estavam em motocicleta
Arquivo pessoal
O caso
Na mesma noite da morte do policial Gustavo Teles, foram registrados outros dois homicídios na cidade. Um deles ocorreu na avenida Brasília com a rua 7. A vítima é Neuralice Pereira de Matos, de 22 anos. O outro foi na avenida Alagoas, no centro da cidade, onde Nataniel Gloria de Medeiros, de 28 anos, também foi baleado e não resistiu.
Os crimes teriam sido praticados de forma semelhante: dois homens em uma motocicleta atiraram contra as vítimas.
Outros dois jovens foram baleados de forma semelhante. Eles estavam em uma calçada junto com outras pessoas, quando atiradores passaram de moto e dispararam. Os feridos foram levados para o Hospital Regional de Gurupi.
Nota na íntegra
O Governo do Estado, por meio das Polícias Civil e Militar do Tocantins, informa que é interesse institucional que sejam apuradas as posturas dos policiais militares, 2º Sgt PM Edson Vieira Fernandes e 3º Sgt PM Gustavo Teles, bem como a forma de condução por parte da Polícia Civil naquela ocorrência da noite do dia 22, em Gurupi.
Além da investigação, que corre em segredo de justiça, cabe ressaltar que, na apuração do caso que envolve os dois militares, a PM tem prestado todo o apoio necessário à Polícia Civil no sentido de colaborar com as investigações.
Também já está em curso um Procedimento Administrativo na PM a fim de se apurar as circunstâncias que envolveram os militares.
Por fim, destaca que as polícias Militar e Civil continuam conduzindo os trabalhos de polícia ostensiva e investigativa, em todo o Estado do Tocantins, inclusive em ações conjuntas, contra o crime e a busca pela paz social.
Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.

Leia matéria na íntegra no Portal G1 Tocantins

reporter1

Repórter 1 é um agregador de notícias, um robô que captura automaticamente posts em sites, blogs e grandes portais, economizando seu tempo. Aqui você encontra o caminho mais curto para informações e opiniões relevantes que estão na internet.