Balsa interditada há quase cinco dias gera prejuízos a produtores da região sul do TO

Interdição aconteceu após caminhão e retroescavadeira caírem no rio Tocantins. Pequenas embarcações fazem a travessia de forma improvisada, sem coletes salva-vidas. Produtores relatam prejuízos após balsa ficar interditada no sul do Tocantins
A balsa que faz a travessia de veículos no Tocantins, entre os municípios de Gurupi e Ipueiras, está interditada há quase cinco dias. Fazendeiros e moradores de três povoados enfrentam prejuízos. A interdição aconteceu após um caminhão que transportava uma retroescavadeira cair na água na última segunda-feira (8). Os veículos deveriam ser retirados na manhã desta sexta-feira (12) por um guindaste, mas a mangueira hidráulica do veículo se rompeu e derramou óleo no local. Uma peça deve ser enviada do município de Porto Nacional para consertar o guindaste. (Veja o vídeo)
Embarcações maiores não podem aportar porque o acesso ao cais está impedido. O motorista João Paulo Rodrigues que estava na cabine do caminhão na hora em que o veículo caiu no rio, relembra o susto.
“O marinheiro pediu para eu descer para embarcar o caminhão, quando estava embarcando, alguém que estava na balsa falou: ‘A balsa está indo para a frente’. Quando falou assim, o caminhão já desceu de uma vez. Não deu tempo de pensar em nada, só tentar me salvar e sair nadando, graças a Deus estou vivo”.
Guindaste vai retirar caminhão e retroescavadeira que caiu no rio Tocantins
Jairo Santos/TV Anhanguera
O motorista conta que nunca tinha feito esse tipo de travessia por navegação. Agora só quer recuperar o caminhão do fundo do rio. “Tirar o caminhão e voltar trabalhar porque o caminhão é minha sobrevivência”.
A carreta prancha estava estacionada sobre a balsa, quando um cabo de aço que amarrava a embarcação se rompeu. O operador de máquinas pesadas José Maria da Silva acredita que houve imprudência por parte de quem opera o transporte pela balsa. “Deixaram embarcar 40 toneladas, que é o conjunto completo sem atracar e sem funcionar o motor”.
A retroescavadeira que estava em cima do caminhão e que também afundou foi alugada por um fazendeiro da região, e ia ser empregada na abertura de barragens para matar a sede de mais de mil cabeças de gado. O responsável pelo maquinário Iarley Cosme Dantas diz que o prejuízo, em quatro dias com a máquina no fundo do rio, já passa de 15 mil reais. “Estamos em prejuízo, aguardando desde a segunda-feira. O serviço está parado”.
Cabo arrebentou no momento em que caminhão iria ser transportado por balsa
Divulgação
Os passageiros que chegam em ônibus ao trevo da praia, no município de Gurupi, precisam esperar horas para chegar a outros povoados banhados pelo rio Tocantins. Sem o transporte pela balsa, pequenas embarcações fazem a travessia de forma improvisada, sem coletes salva-vidas e sem segurança para quem está a bordo.
Sem a balsa, o ônibus não vai até os povoados do outro lado do rio, e os passageiros precisam carregar as bagagens até o cais.
A travessia do cais até a Lagoa do Romão, Vila São Miguel e fazendas da região, não levava mais que 15 minutos. Com a interdição da balsa, os moradores da região têm a opção de usar o transporte terrestre, mas precisam enfrentar um desvio de 220 quilômetros em estrada de chão e mais de seis horas de viagem.
O aposentado Valdivino Bonifácio dos Santos está à espera da travessia pelo rio há mais de 48 horas. Parte do carregamento que ele transporta na caminhonete já se perdeu. “Minhas mudas já morreram todas, abacate, laranja, não tem mais jeito. Fica no sol quente direto”.
No início da noite desta quinta-feira (11), um caminhão guindaste com capacidade para 25 toneladas chegou ao cais. A operação de retirada dos veículos do rio, está prevista para esta sexta-feira.
A Marinha do Brasil informou que a Capitania Fluvial do Araguaia-Tocantins enviou dois peritos ao local para dar orientações sobre a segurança da navegação, prevenção da poluição da água, recomendado que a empresa coloque barreiras de contenção no local.
Disse também que a equipe vai verificar a documentação dos condutores e das embarcações que estão fazendo a travessia. Afirmou que o colete salva-vidas é obrigatório para canoa, lancha, flex boat e voadeiras, porém deve haver, em todas as embarcações, quantidade suficiente de coletes homologados, em condições de serem utilizados por todas as pessoas que estejam nas embarcações em movimento.
Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.
Caminhão transportava retroescavadeira quando caiu no rio Tocantins
Divulgação

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