César Simoni, candidato ao governo do Tocantins, é entrevistado no JA1


Ele foi o último candidato a ser entrevistado pela TV Anhanguera. Os cinco concorrentes ao governo do estado foram ouvidos durante esta semana no JA1. Confira a entrevista do César Simoni candidato ao governo do Tocantins
César Simoni (PSL) foi o último candidato a ser entrevistado na rodada de entrevistas promovida pela TV Anhanguera com os concorrentes ao governo do Tocantins. Ele foi ouvido nesta sexta-feira (14) no JA1. (Veja vídeo)
A entrevista foi realizada na sede da TV Anhanguera, em Palmas, pelo jornalista Sydney Neto. O candidato a vice-governador da chapa será é Paulo Lima (PSL).
Veja como foi o cronograma de entrevistas:
10 de setembro – Mauro Carlesse (PHS) – Veja como foi
11 de setembro – Carlos Amastha (PSB) – Veja como foi
12 de setembro – Bernadete Aparecida (PSOL) – Veja como foi
13 de setembro – Marlon Reis (Rede) – Veja como foi
14 de setembro – César Simoni (PSL)
César Simoni fechou rodada de entrevistas da TV Anhanguera
TV Anhanguera / Reprodução
Candidato, o senhor tem um currículo extenso na área de segurança pública: já foi policial federal, chefe da segurança pessoal de ministro e até de embaixador do Estados Unidos. Atuou no combate contra o crime organizado, em investigações contra corruptos, enquanto era promotor de justiça. Participou ainda da força-tarefa de investigação de atos de improbidade. Mesmo com todo esse trabalho em defesa da moralidade, o senhor acabou assumindo o cargo de secretário estadual de um governador que já havia sido cassado e enquanto era secretário esse governador foi cassado de novo entrando para história do país como o único governador cassado duas vezes num mesmo cargo. Ao aceitar o cargo de secretário o secretário o senhor não foi incoerente com a sua história de guardião da lei?
Eu vou te responder com o seguinte fundamento, a Rede Globo de televisão, o sistema Globo recebeu do governo do PT R$ 6,2 bilhões de propaganda estatal e também o terceiro maior publicitário da Globo era a JBS, que desviou do BNDS a quantidade de dinheiro que todos sabem. Isso torna a Globo parceira do PT e torna a Globo parceira da JBS?
E no caso do senhor, candidato?
No meu caso, a recíproca é verdadeira. Eu fui para fazer um trabalho técnico com a experiência que eu tinha de polícia federal, com a experiência que eu tinha de promotor de justiça. O estado se encontrava naquele momento em uma situação muito difícil na segurança publica. O crime organizado e desorganizado atuando por todos os lugares. Fui chamado para completar um serviço que havia feito no Ministério Público como promotor. Fui promotor do tribunal do júri por 24 anos e fiz o que eu podia fazer. Eu peguei a secretaria em uma greve, na maior greve que teve da Polícia Civil, uma greve armada, com os presídios cercados, as facções mandando incendiar ônibus do lado de fora nas ruas da capital. E conseguimos nesses três anos trazer 250 carretas de mobília, em uma pareceria com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. Conseguimos trazer mais de 2 mil computadores e deixamos a secretaria com 280 carros, aproximado, de frota própria. Prova de que mesmo com uma dificuldade financeira que o estado passava é possível você fazer segurança pública se estabelecer parcerias.
Pessoalmente, voltando a essência dessa pergunta, com esse currículo invejável que o senhor tem na área jurídica e defensor dessa moralidade, ao receber o convite de um gestor que tem esse currículo de primeiro do Brasil a ser cassado duas vezes. O senhor em algum momento pensou nisso?
Nem precisava pensar porque o homem tem que ter convicção. Eu nunca peguei nada que não é meu. Eu fiquei três anos como secretário de estado da segurança pública sem sair com um centavo. Pelo contrário, eu sai R$ 40 mil mais pobre porque as primeiras carretas de mobília, o estado da segurança pública era deplorável em termos de estrutura, eu paguei do bolso. Porque eu tinha que pagar os chapas e nós não tínhamos rubrica para fazer isso. Eu não me preocupei em momento nenhum com esses fatos porque o estado precisava de segurança. Eu podia dar minha contribuição e não poderia me furtar por proselitismo. Não foi esse o caminho.
O senhor assumiu a secretaria de segurança pública em janeiro de 2015, logo após a posse do então governador Marcelo Miranda. Três meses depois, o senhor enfrentou como secretário uma das greves mais extensas da Polícia Civil. Foram 41 dias. Período em que ônibus foram incendiados e a sensação de insegurança nas ruas aumentou. O que faltou pra lidar com essa situação? É claro que depende de negociação, mas o que faltou? Experiência em gestão ou jogo de cintura?
Não faltou isso porque o fundamento da greve é porque o governo anterior, o governo de Sandoval, deixa aprovada uma lei que dava um aumento significativo para os policiais e eu não digo que não seja merecido, eu penso que sim, mas o governo que entrou não tinha capacidade financeira para honrar. Isso deflagrou a greve e no segundo mês eu tive que entregar 240 veículos porque a empresa que locava para o estado e por via de consequência para a segurança pública não recebia há 11 meses. Mesma situação nós encontramos dos aluguéis das delegacias e dos prédios da segurança pública. Devolvemos os carros, ficamos praticamente a pé e fomos atrás, no Brasil todo. A Polícia Federal me deu muitos carros, Receita Federal, Ministério Público Federal, enfim.
O senhor fugiu dos holofotes, sempre foi mais discreto. Mesmo como secretário nunca gostou de dar entrevistas, mas em uma das poucas declarações, no dia seis de junho de 2017, durante uma reunião para discutir estratégias de combate ao crime, o senhor disse: “Tem muita gente que gosta de reclamar”. Essa resposta, vou explicar o contexto, foi dada quando questionado sobre a falta de estrutura nas delegacias, inclusive falta de papel para o boletim de ocorrência enquanto o senhor era secretário. Então eu pergunto: não há problema faltar o básico numa delegacia, por exemplo? Esse pode ser o tratamento pros serviços que atendem diretamente a população? O senhor mencionou: “tem muita gente que gosta de reclamar”. Mas ninguém gosta de estar em uma situação de ter que reclamar. O servidor que está ali trabalhando e o cidadão que depende desse serviço. Chegar ao ponto de faltar papel para registrar boletim de ocorrência.
O destinatário dos nossos serviços, como servidores públicos, stricto ou lato sensu, é o povo. Eu não vejo justificativa naquela oportunidade de ser lavrado um boletim de ocorrência por falta de papel. Isso é falta de respeito à população. O destinatário do nosso serviço é o povo. Então, que se pegasse até papel higiênico para fazer o boletim de ocorrência. O que não pode é deixar de prestar o serviço porque nos ganhamos e o nosso destinatário é o povo.
Mas esses questionamentos serão tratados como crítica ou reclamações?
Eu penso que todo servidor público que se propõe a servir o estado tem compromisso com o estado. Se você for engraxate, seja o melhor engraxate. Se você for um banqueiro, seja o melhor banqueiro. Não justifica você receber e não prestar o serviço.
Mas e quando não tem condições dele prestar esse serviço?
Tem condições. No caso específico era uma questão de papel. Que autoridade que estava apresentando essa dificuldade fosse no Ministério Público ou em qualquer lugar e teria o papel. Nesse caso, eu entendi que foi uma falta de vontade para atender o público.
Na mesma entrevista o senhor disse ainda: ‘Desarmar o cidadão foi ato impensado’. E ainda deu o seguinte exemplo: “Um bandido chega num restaurante, rende todo mundo, rouba e, com um revólver 32, atira, mata uma pessoa. Mas se ele, o bandido, pudesse imaginar que ali teriam umas 3, 4, 5 pessoas que poderiam estar armadas, ele não faria isso.” Essa política de armar o cidadão que o senhor e o seu partido defendem não poderia incentivar a violência? Uma briga de trânsito virar um homicídio, por exemplo?
Nós não temos como dar garantia. Jair Bosonaro pensa da mesma forma e eu penso da mesma forma dele. Não sei quem é que pensava primeiro, mas há mais de 15 anos eu falo no tribunal do júri que o estatuto do desarmamento foi um grande engodo. Quem desarma a população? São os estadistas tipo Lenin, tipo Slatin, tipo Hitler, Mussolini, Maduro, Chávez e aqui no Brasil, o PT, que começa com Fernando Henrique Cardoso. Com a desculpa de que isso iria diminuir o homicídio, mas o que nós vemos foi um aumento absurdo do roubo a mão armada e do latrocínio. O homicídio é crime, via de regra, que envolve emoção e não depende de uma arma de fogo propriamente dita. Ele é um crime passional, via de regra. Quando se quer matar, se mata de qualquer jeito. O que nós deixamos foi o cidadão desarmado a mercê de bandido, que naquele momento é o delegado, promotor e juiz. O bandido quando mata um cidadão de bem tem direito a ficar caldo e seu silêncio não pode ser usado contra ele. Tem direito ao devido processo legal, a defesa pública se não tiver como contratar um advogado. Ele tem direito a recurso e, pasmem, e ele tem direito a auxílio, a família dele ganha bolsa-auxílio, que eu chamo auxílio-bandido. Mas eu nunca vi essa mesma fonte que dá auxílio para a família do preso, e não que eu seja contra, ela dar auxílio para a família da vítima que perdeu seu provedor, que perdeu a pessoa que mantinha a casa.
Candidato, já noticiamos, no período mesmo do senhor estava como secretário, casos de uma ação desastrosa de delegado que confundiu um PM com bandido e matou o militar. Ambos treinados pra esse tipo de situação. Imagina o cidadão comum com uma arma na mão. O senhor acha que, para um estado como Tocantins, que faltam militares nas ruas, policiais, agentes civis, armar a população realmente é uma opção viável?
Eu não falo sobre o Tocantins, falo do Brasil como um todo.
Mas diante da nossas realidade? Com histórico de ações desastrosas.
Isso é uma exceção e todo trabalho que envolve polícia envolve risco. Mas, veja bem, o cidadão chega em casa, está entrando na garagem, tá saindo do supermercado ou saindo de um shopping. Está entrando em um carro, o bandido chega e o cidadão não tem como se defender. O bandido não precisa de porte de arma, ele tem arma. Então, a posição de Jair Messias Boslonaro e que eu subscrevo ipsis litteris é de que nós temos que ter a faculdade de exercer o direito de defesa. Não quer dizer que vamos exercer. Agora, é evidente que para fornecer arma para o cidadão ele tem que passar por um exame rígido psicológico, ele não pode ter antecedentes criminais, ele tem que fazer uma academia. Não tem academia de ginástica? Então faça uma academia de treinamento. O que eu garanto é uma coisa. Nós tivemos o caso da moça que foi morta aqui no Tocantins, que o namorado tirou ela pelos cabelos de dentro da kit net e matou. Se ela tivesse um 22 na bolsa, ele estava comendo raiz pela boca.
Entrando no seu plano de governo, vamos falar de educação agora. O senhor defende a implantação de colégios militares pra melhorar a disciplina, resgatar o patriotismo, mas hoje já existem oito colégios militares em sete cidades e mais dois em construção. O senhor pretende transformar todas as mais de quinhentas escolas estaduais em militares? Esse é o ensino padrão que o senhor considera que funciona?
Evidente que não. Nós pretendemos implantar colégios militares onde for possível implantar sem prejuízo de manter as outras estruturas. Quando converso com um pai que tem a possibilidade de ter o filho no colégio militar eu percebo a grande satisfação porque no colégio militar tem disciplina e lá vai se aprender.
E o efetivo da PM nas ruas? Que nem é suficiente os policiais.
Uma coisa não prejudica a outra. O efetivo da PM é mantido, pode ser aumentado. Tem um concurso em andamento e isso não implica dizer que vai tirar efetivo das ruas para poder colocar nos colégios militares. O importante é que o aluno, o nosso jovem vai para a escola aprender português, história, geografia, matemática, ciência, o que não pode continuar acontecendo é o aluno ir para aprender ideologia de gênero.
Mas essa não é uma medida retrograda e preconceituosa da sua parte? Fazer com que a escola não toque nesses assuntos.
Eu me considero um cidadão de bem. Estou com quase 60 anos e aprendi assim. Eu não vejo, não vi nenhum um prejuízo para minha cultura, para minha formação, o modelo que eu aprendi. Agora, o meu projeto não fica restrito a escolas militares. Nós temos que investir em escolas profissionalizantes. O que acontece: o investidor não vem para cá porque não tem mão de obra qualificada. Para que o Tocantins e tenha mais uma fonte de renda precisa que o investidor acredite no projeto Tocantins.
Vamos falar desse crescimento. Abre aspas mais uma vez: “Se cortar a corrupção é possível, eu garanto!” Essa é uma frase dita pelo senhor em praticamente todos os tópicos do seu plano de governo. O senhor afirma que vai combater a corrupção e que já no primeiro ano, com o valor que seria desviado, vai fazer investimentos. O senhor tem conhecimento de quanto é desviado do governo para fazer esse compromisso?
Bom, eu tenho notícias que todos nós temos e que é de conhecimento de quase público.
Quanto que é desviado mais ou menos?
Hoje, o percentual é de 30% nos contratos. Em relação aos contratos que não foram pagos por gestores anteriores, se noticia que quando o empresário é chamado para receber os valores devidos é apresentada uma proposta de quitação de 100, mas divide pelo meio: 50 fica para ele e 50 fica para quem propôs. Nós temos 1% só para investir no Tocantins. Se você fechar a torneira da corrupção nós teremos 31% no primeiro ano.
Com essa afirmação o senhor confirma que o senhor participou de um governo corrupto? Já que o senhor saiu só porque o governador foi cassado? Não estou falando que o senhor foi corrupto, mas o sistema.
Mais uma vez eu volto e trago o exemplo da Rede Globo. A Rede Globo foi autuada por R$ 615 milhões de sonegação nos jogos de 2002 na Copa do Mundo. Essa autuação foi feita em 2006. Em 2007, a rede Globo renova a concessão, por ser uma concessionária de serviço público, até 2022 e não se tem notícia de que o Darf [Documento de Arrecadação de Receitas Federais] foi quitado até hoje.
Mas candidatos, as informações da rede Globo estão disponíveis. A gente quer entender o senhor.
Só para completar. Eu insisto, você me fez a pergunta e eu vou te dar a resposta.
Eu quero a sua resposta para a minha pergunta. Não falar de outro assunto.
Não, mas ela está embutida na mesma coisa porque é dinheiro público do mesmo jeito. São R$ 615 milhões não se sabe se foi pago até hoje porque ninguém viu o Darf.
O senhor está afirmando que a Globo desviou dinheiro?
Não. Estou dizendo que ela foi autuada em R$ 615 milhões e não se tem notícia de que foi paga. Mas eu posso te afirmar que a renovação da licença da concessão, porque é uma concessão de serviço público, ela foi renovada até 2022. Isso torna você que é funcionário da Globo comprometido de alguma forma? Evidente que não. Então, são contextos fáticos que acontecem no histórico do Brasil, mas que necessariamente uma coisa não implica na outra.
Vamos então para a área da saúde. O senhor disse que vai trabalhar para que hospitais de médio porte sejam criados nas regiões mais desassistidas e com isso diminuir a superlotação de pacientes nos hospitais das grandes cidades, em especial no HGP. Mas, hoje já existem 18 hospitais distribuídos em todas as regiões e que faltam médicos, estrutura, falta de tudo. Como é que o senhor quer construir novas unidades, sendo que as que existem nem estão prontas ou em condições suficientes para atender o cidadão?
Se você cortar a corrupção nós vamos ter 30% a mais para investimento. Eu como promotor do patrimônio público vi foram carretas de medicamentos queimadas, incineradas porque estavam vencidas. Porque que se comprou essa quantidade de medicamento que não seria usado? Porque tem propina no meio.
Mas 30% é suficiente? O senhor falou que tem 30% para aumentar a receita. Agora, o senhor está falando de investimento.
É muito dinheiro. 30% é o que vai sobrar para investimento, não é para aumentar a receita. A receita se aumenta de outra forma, com fiscalização efetiva nas divisas, que não tem, atraindo investidores para cá. Agora, esses 30% é para investir no Tocantins. Investir em uma saúde de qualidade para terminar as filas, investir na educação para ter uma educação de qualidade e na segurança pública, para dar segurança para o povo. Este é o objetivo do meu governo.
Ainda falando sobre saúde, o senhor faz o compromisso de promover um atendimento de qualidade para a população, acabar com as filas intermináveis e com a longa espera para realização de cirurgias e exames, que hoje levam meses para acontecer. Como o senhor vai fazer isso levando em conta a falta de pagamento dos fornecedores, falta de médicos e falta até de materiais? Como o senhor garante que vai reduzir essa fila que hoje passa de 3 mil pessoas só de cirurgias agendadas que já deveriam ter acontecido há muito tempo?
Com equipe, trabalho e dedicação. Chamo para me acompanhar nessa caminhada o cirurgião cardíaco Paulo Lima. Porque? Porque a saúde é prioridade 1. Trata-se de vida, da saúde das pessoas. E volto à mesma tecla, se nós cortamos a propinagem, o desvio do dinheiro público. Porque quando você vai para o preço de mercado, qualquer coisa que for se comprar, vamos pegar um computador: R$ 2,5 mil. Mas para o estado é R$ 7. Porque? Porque o proprietário não sabe quando vai receber, se vai receber. Então, terminando com a corrupção nós vamos conseguir investir na saúde.
O senhor pode usar os últimos segundo para as considerações finais.
Bom, eu agradeço essa oportunidade e me dirijo ao povo do Tocantins. Eu represento neste momento o nosso candidato a presidente, Jair Bolsonaro, que foi covardemente atacado por um facínora e ele não está sozinho Tem gente por trás, nós vamos descobrir. Represento, neste momento, o próprio Jair Bolsonaro aqui no Tocantins. Meu número é 17, Bolsonaro é 17. Votem nos nossos candidatos de cima a baixo, federais, senadores, nossos deputados. Com o Tocantins no coração, Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
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