Pesquisa Datafolha feita, tabulada e divulgada nesta segunda vai definir rumo da campanha de todos os candidatos, também da de Bolsonaro

Esta segunda-feira será um dia de referência na campanha à Presidência.  O Datafolha realiza, tabula e divulga hoje uma pesquisa. O eleitor já terá sido exposto a 10 dias de horário eleitoral gratuito — cinco deles dedicados aos presidenciáveis. Também se terão passado quatro dias desde a facada que atingiu o candidato Jair Bolsonaro (PSL), em Juiz de Fora (MG), desferida por Adelio Bispo de Oliveira. Antes do episódio, os números do candidato, em que pese a retórica de seus seguidores, não eram muito animadores.

Pesquisa Ibope publicada no dia anterior revelara que a rejeição a seu nome havia crescido sete pontos em duas semanas — de 37% para 44% — e que ele perderia a disputa no segundo turno para todos os contendores testados, exceção feita ao petista Fernando Haddad, com quem ficava em empate técnico: 37% a 36%. Obviamente, tratava-se de um mau sinal. O ex-prefeito é ainda desconhecido de boa parte dos brasileiros e não foi oficializado como substituto de Lula. Seria derrotado por Ciro Gomes (PDT) por 44% a 33%; por Geraldo Alckmin (PSDB), por 41% a 32% e por Marina Silva (Rede), por 43% a 33%.

Ninguém consegue saber ao certo que efeito terá o ataque no desempenho eleitoral do candidato do PSL. Seus familiares e seus seguidores tentam emplacar a versão de que o ato do tal Oliveira fez parte de uma orquestração da esquerda. Como ele foi filiado ao PSOL de Uberaba entre 2007 e 2014, busca-se uma vinculação entre o gesto ensandecido e a ideologia do agressor. O caso está sob investigação. Tudo indica, no entanto, que o homem agiu sozinho. Em evento em favor da candidatura do pai, no Rio, Flávio Bolsonaro, que concorre ao Senado, atacou a imprensa — sempre ela — porque esta estaria insistindo na eventual perturbação mental de Oliveira.

Bolsonaro, segundo os institutos, vem conseguido suas melhores marcas entre os universitários e os mais ricos. São segmentos importantes porque tendem a ser formadores de opinião, mas esses grupos não decidem uma eleição. Tudo vai depender de como os mais pobres vão registrar o episódio. Também vai pesar o comportamento das mulheres, grupo em que a rejeição a seu nome é alta. Se houver mudanças significativas nesses estratos, as chances de Bolsonaro crescem bastante.

Os números do Datafolha, em suma, servirão para que todos os candidatos — e também Bolsonaro — ajustem ou reforcem odiscurso. À diferença do que andaram vendo por aí alguns analistas, não percebi nenhuma diferença de tom na campanha do postulante do PSL. Ao contrário até! Parece-me que a pregação ganhou contornos ainda mais nítidos. Os bolsonaristas insistem em que um complô tentou assassinar o candidato para impedi-lo de ser presidente, associam o ato tresloucado à esquerda e dão ênfase a uma das ideias-força de campanha: a arma. O deputado Eduardo Bolsonaro, que concorre à reeleição por São Paulo, chegou a afirmar que um ataque com um revólver teria ferido seu pai com menos gravidade, e o próprio candidato, dentro da UTI, deixou-se fotografar imitando uma arma com as mãos. E, como era esperado, exaltam-se as virtudes heroicas do candidato.

A campanha de Alckmin havia decidido confrontar o discurso ideológico de Bolsonaro, no que estava tecnicamente correta, mas tirou o pé do freio. E por que estava tecnicamente correta? Porque o capitão reformado, com efeito, seduziu parte considerável do eleitorado antipetista ou, genericamente, anti-esquerdista, mas dando ênfase mais às questões de comportamento. Ao tucano, cumpria mostrar-se mais preparado e sereno do que o adversário, evidenciando seu extremismo. O que poderia ser eficiente antes da facada pode não ser depois dela.

E o PT? Bem, ainda voltarei ao tema. O fato é que o partido vinha praticamente ignorando Bolsonaro até agora para se ater a outras batalhas. A pesquisa vai dizer se essa escolha ainda é sensata.

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