Alckmin no comando do PSDB dificultaria candidatura de Huck

De acordo com o relato de tucanos que conversaram com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ele está indeciso a respeito de assumir a presidência do PSDB. Haveria prós e contras.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenta convencer os atuais candidatos ao comando do partido, o senador Tasso Jereissati (CE) e o governador Marconi Perillo (GO), a desistir em benefício de Alckmin.

Se Alckmin virar presidente do PSDB, ele fortaleceria ainda mais a candidatura ao Palácio do Planalto e diminuiria a ameaça de outro tucano ser candidato.

Segundo aliados, haveria risco de Tasso, se eleito para o comando do partido, sonhar em disputar a Presidência da República. Tasso já negou isso, inclusive falando com Alckmin. No entanto, o nível de intrigas e desconfiança no PSDB cresceu muito. Tucanos avaliam que o prefeito de São Paulo, João Doria, não desistiu da Presidência da República.

Alckmin deseja ser eleito por aclamação. Precisaria convencer Perillo e Tasso a desistir, mas o partido está rachado e os dois veem chance de vitória.

O governador paulista não quer comprar briga, mas, mesmo na hipótese de aclamação, deixaria setores contrariados, porque teria de quebrar alguns ovos.

Aliados do governador paulista dizem que FHC está ajudando Alckmin na disputa tucana, mas opera com um plano B para enfrentar o ex-presidente Lula, que seria a candidatura do apresentador de TV Luciano Huck pelo PPS. FHC tem conversado com frequência com Huck. É um incentivador da entrada dele na política.

Assumir o comando do PSDB poderia dificultar o projeto presidencial de Huck, porque Alckmin trabalharia desde já para tentar ser o candidato de um campo de centro e centro-direita do eleitorado, seja ocupando um espaço pretendido por Huck, seja tentando desinflar as intenções de voto no deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Em relação ao papel do PSDB, Alckmin defenderia a manutenção do apoio parlamentar ao governo Temer, mas sem participação no ministério. Prometeria, por exemplo, votos para a reforma da Previdência e se distanciaria administrativamente do governo. Esse é o caminho que vem ganhando força interna no PSDB.

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Temer gostou

Dois fatores aceleraram a decisão do deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) de pedir demissão ontem do cargo de ministro da Cidade: a decisão do presidente Michel Temer de fazer em breve uma reforma ministerial e a senha dada pelo tucano Aécio Neves, o maior defensor do governo no partido, de que estava chegando o momento da ruptura.

Com o pedido de demissão, Bruno Araújo se antecipa a um movimento de Temer, mas, sobretudo, evita obedecer a um ultimato do PSDB, o que o deixaria com a marca de quem não queria largar o osso. A demissão de Bruno Araújo facilita a articulação de Temer para fazer trocas no ministério e angariar apoio à proposta enxuta de reforma da Previdência.

O gesto de Bruno Araújo serve ainda de aviso aos demais ministros tucanos, no sentido de que também deveriam se antecipar e sair.

Temer vai substituir a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois. Avalia que ela faz um trabalho ruim e se queimou politicamente ao tentar furar o teto salarial.

O presidente se dá bem pessoalmente com Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo. Mas aliados se queixam da ação de Imbassahy na articulação política. Imbassahy está pensando em trocar o PSDB pelo PMDB a fim de ficar no primeiro escalão, em outro cargo.

A situação especial é a do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, amigo e defensor de Temer. Se Aloysio for candidato em 2018, a tendência hoje é que seja substituído. Mas os dois ainda vão conversar pessoalmente.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

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Autor: Kennedy Alencar

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